Política

Partidos aprovam sessão com Zelensky, PCP foi contra: "Parlamento não deve contribuir para a escalada da guerra”

6 abril 2022 12:46

Zelensky na sua intervenção no Parlamento italiano, por videoconferência

alessandro di meo

Pedido do PAN aceite pelos partidos na reunião da conferência de líderes desta quarta-feira, mas com tomada de posição contra do PCP: “A AR, enquanto órgão de soberania, não deve ter um papel para contribuir para a escalada da guerra", diz a líder parlamentar comunista. Zelensky já discursou à distância em 20 parlamentos, de Itália aos Estados Unidos

6 abril 2022 12:46

Foi aprovado em Conferência de Líderes o requerimento do PAN para receber o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, por videoconferência na Assembleia da República. Tal como o Expresso tinha adiantado, os partidos já eram tendencialmente a favor da ideia, que esperava apenas pela nova legislatura para avançar. Na altura, apenas o PCP recusou pronunciar-se - e foi no final da reunião de líderes que os comunistas pediram para ficar em ata a sua oposição. Assim, a decisão de ouvir o Presidente Zelensky foi por maioria e não por unanimidade, dado que o PCP não acompanhou a decisão.

O novo Presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, presidiu à reunião e deve agora articular com Marcelo Rebelo de Sousa os contactos diplomáticos para a realização da sessão plenária com a participação do chefe de Estado ucraniano. Segundo adianta o jornal “Público”, Marcelo esperava apenas a luz verde vinda da Assembleia da República, e vai avançar de imediato com o convite.

Os dias propostos para a sessão plenária com Zelensky, sabe o Expresso, são 13 ou 21 de abril, embora haja abertura para outras datas, dependendo da disponibilidade do próprio presidente ucraniano, que tem discursado à distância em vários parlamentos dentro e fora da Europa, de Itália aos Estados Unidos. Com a entrada no Parlamento irlandês, são já 20 os percorridos pelo chefe de Estado.

O requerimento foi feito pelo PAN ainda durante a dissolução do Parlamento, pelo que o presidente da AR à época, Ferro Rodrigues, considerou que era preciso ter um Parlamento “na plenitude da seu composição” para que avançasse. Uma semana depois, assim foi.

Para o PAN, o timing reforça a importância da decisão, dada a evolução da guerra e das imagens que têm chegado, nomeadamente as do último fim de semana, na cidade de Bucha. No comunicado enviado há minutos à imprensa, o partido nota que, “atendendo à evolução desta guerra, a solidariedade para com o povo ucraniano e a luta por uma Ucrânia soberana, independente, livre e europeia exigem gestos diplomáticos mais simbólicos da parte de todos os países empenhados em tais desígnios”.

O partido congratula ainda a posição de Marcelo, que tem “demonstrado a sua imediata abertura” para esta sessão de boas-vindas.

PCP diz que abrir a porta da AR a Zelensky “não vai ao encontro do objetivo de defender a paz”

Já a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, fundamentou a posição dissonante do partido alegando que “a realização de sessões com intervenção de chefes de estado na Assembleia da República têm sido muito limitadas ao longo dos últimos anos”. Além disso, acrescentou, “tem sido sempre na sequência da realização de visitas institucionais ao nosso país, coisa que neste caso concreto não ocorre”.

Para a deputada comunista, “a AR, enquanto órgão de soberania, não deve ter um papel para contribuir para a escalada da guerra, não deve contribuir para a confrontação, para o conflito e para a corrida ao armamento”. "Deve ser exatamente o oposto", defende: "deve ser em defesa da paz, numa posição para encontrar uma solução negociada para a resolução deste conflito e para o desarmamento”.

Na perspetiva do PCP, “a proposta que está em cima da mesa não vai ao encontro do objetivo de defender a paz, de procurar uma solução negociada, e daí o PCP não a ter acompanhado”, explicou Paula Santos aos jornalistas. “Consideramos que não é o caminho para este conflito”, referiu a líder parlamentar, para quem nas intervenções de Zelensky noutros parlamentos "tem havido um posicionamento de confrontação e de conflito".

Paula Santos manifestou, “da parte do PCP, toda a solidariedade com as vítimas da guerra na Ucrânia, uma guerra que nunca deveria ter começado e que já começou há oito anos”.

“Nós não estamos a defender a paz na Ucrânia desde 24 de fevereiro de 2022, estamos a colocar essa necessidade de se avançar num caminho de paz desde 2014. E durante oito anos ficámos sozinhos nesta matéria”, concluiu Paula Santos.