Política

IL condena declarações de Cabrita, o "exemplo máximo da inimputabilidade" do Governo

3 dezembro 2021 16:08

manuel de almeida

Partido de Cotrim de Figueiredo insiste na demissão do ministro da Administração Interna. Em causa estão as declarações de Eduardo Cabrita, em reação à acusação do seu motorista no caso do acidente mortal. "Eu sou passageiro. É o Estado de direito a funcionar"

3 dezembro 2021 16:08

O Iniciativa Liberal (IL) condenou esta sexta-feira a reação do ministro da Administração Interna à acusação de homicídio por negligência de que é alvo o seu motorista, na sequência de um acidente que vitimou um trabalhador na A6, em junho. E reafirma que Eduardo Cabrita não tem condições para continuar no cargo.

"Não surpreende, embora seja profundamente lamentável, que o ministro Eduardo Cabrita, perante uma situação trágica, procure escudar-se atrás de aspetos formais para esconder o óbvio: dentro de uma viatura oficial que circula em excesso de velocidade, e do estrito ponto de vista da responsabilidade política, um ministro não pode considerar-se a si próprio um mero passageiro", afirma o partido de João Cotrim de Figueiredo em comunicado.

Para os iberais cabe à Justiça apurar os "factos juridicamente relevantes" neste acidente, mas defendem que o ministro da Administração Interna deixou de ter "quaisquer condições para se manter em funções" em março de 2020, quando morreu o ucraniano Ihor Homeniuk nas instalações de acolhimento temporário do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), no Aeroporto de Lisboa. Cabrita é mesmo visto como o "exemplo máximo da inimputabilidade" do Governo, "corroendo toda a dignidade institucional".

"Perante tudo isto, é o próprio Primeiro-ministro que deve ser interpelado: considera-se a si próprio um mero passageiro do seu Governo, sem qualquer controlo da ação dos seus ministros, ou vai finalmente assumir a responsabilidade de pôr termo a toda esta indignidade?", questiona ainda o IL.

Em causa estão as declarações do governante, esta sexta-feira, numa reação à acusação do MP ao seu motorista no caso do acidente causado por uma viatura em que seguia, em junho, que vitimou um trabalhador, na A6. "Eu sou passageiro. É o Estado de direito a funcionar", disse Cabrita, em declarações aos jornalistas à margem da visita que efetuou às instalações do posto da GNR de Lagos, no Algarve.

Segundo o ministro, é preciso confiar no Estado de direito, sublinhando que "ninguém está acima da lei" e que as "condições de um atravessamento de via não sinalizada têm de ser esclarecidas". Recusando quaisquer responsabilidades, Cabrita disse ainda que a Justiça procederá ao "esclarecimento dos factos" e considerou "repugnante" aquele que considera ser um "aproveitamento político" deste acidente trágico.

Foi a 18 de junho, que a viatura em seguia o ministro da Administração Interna atropelou mortalmente, na A6, um trabalhador que fazia a manutenção da via, junto a Évora. Apesar de a estrada não estar alegadamente sinalizada, o carro seguiria com excesso de velocidade.