Política

Queimódromo aquece autárquicas no Porto. Vladimiro Feliz exige menos propaganda e mais concretização a Rui Moreira

20 agosto 2021 13:40

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

fernando veludo/nfactos

Candidato do PSD à Câmara do Porto diz que o que está em causa é a incapacidade de liderança de Rui Moreira e a sua obsessão pelo experimentalismo e pela propaganda

20 agosto 2021 13:40

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Vladimiro Feliz exigiu, esta sexta-feira, na sede do PSD do Porto, “menos propaganda e experimentalismo, mais responsabilidade e capacidade de concretização a Rui Moreira”. Tal como Tiago Barbosa Ribeiro, candidato do PS à Câmara do Porto, também o candidato social-democrata não poupa nas críticas ao autarca e recandidato independente no caso que levou a Task-Force da vacinação a encerrar o 'drive-thru' do Queimódromo após a falha no sistema de refrigeração no armazenamento das vacinas.

Vladimiro Feliz lembra que os problemas de armazenamento no sistema de frio, que originaram a suspensão da vacinação do Queimódromo, levou a que mais de 900 pessoas possam “ter recebido a vacina fora das condições de segurança”. “Quando o processo de vacinação, liderado pela Task Force, vai decorrendo por todo o país, assistimos no Porto a uma grave falha técnica, no planeamento, na articulação entre parceiros, nos procedimentos e na comunicação eficaz e transparente com os portuenses”, adverte o candidato autárquico.

Para o ex-vice-presidente de Rui Rio na Invicta, o que está em causa é “a incapacidade de Rui Moreira de liderar e fazer acontecer”, do princípio ao fim, projetos com eficácia e impacto na cidade do Porto. De acordo com Vladimiro Feliz, no período pandémico “são já vários e inaceitáveis os falhanços” do atual presidente da Câmara do Porto, falhas que alega serem decorrentes “da sua adição pelo experimentalismo e da sua obsessão pela propaganda, em detrimento do planeamento, da capacidade de gerir operações e entregar resultados”.

Vladimiro Feliz considera que há um padrão de comportamentos por parte de Rui Moreira: tudo começa com a normal ação de propaganda, querendo aparecer na fotografia, na primeira fila, criando falsas expectativas aos portuenses, apenas com um interesse de promoção da sua imagem pessoal”.

Segundo o candidato autárquico, apoiante da candidatura independente em 2013, Moreira não consegue gerir um projeto estruturado, do princípio ao fim, seguindo regras básicas de gestão. “Não lidera, não coordena, não assegura a implementação, não faz o seguimento, não monitoriza os dados, não consegue trabalhar de forma diária, presencial e colaborativa com os outros intervenientes”.

As críticas de Vladimiro Feliz são similares às avançadas esta quinta-feira por Tiago Barbosa Ribeiro, ao afirmar que Rui Moreira “sempre que há um problema ou passa as culpas para terceiros ou mantém-se desaparecido em local incerto”. “Quando surgem os problemas, desresponsabiliza-se, e quando aparece vem muito tarde e a descartar-se de todo o processo”, salienta Vladimiro, acrescentado que quem escreve a comunicação formal do atual presidente passa “a culpa aos funcionários, aos parceiros ou ao centralismo”.

A título de exemplo, o candidato 'laranja' que vai a votos nas autárquicas de setembro refere a propaganda feita pelo autarca durante a pandemia no jornal Porto e nas suas páginas pessoais, “anunciando, durante 2020, vários dias consecutivos sem casos covid, dando uma falsa e irresponsável sensação de segurança, quando a DGS acompanhava pessoas infetadas e havia um hostel na cidade para acolher estas pessoas”.

Segundo Vladimiro feliz, o Hospital de Campanha, no Super Bock Arena / Pavilhão Rosa Mota, sendo um bom princípio, “na prática de nada serviu, por não conseguir articular com as autoridades de saúde, tendo sido desmontado sem utilização relevante”. Na ótica do candidato do PSD, o Porto registou um atraso comparativo com outros concelhos, relativamente às condições de organização e ordem dos espaços dos centros de vacinação, alertando que a eventual repetição de vacinas às 900 pessoas que foram inoculadas após a falha de sistema de frio no Queimódromo “cria um enorme sentimento de desconfiança aos portuenses, nomeadamente os envolvidos no processo”.

Na expectativa de voltar a contar com a confiança dos portuenses, o candidato do partido que governou a cidade entre 2001 e 2013 afiança que o PSD saberá executar os projetos com responsabilidade e eficiência, tal como no passado.

Em conferência de imprensa esta quinta-feira, Rui Moreira afirmou ser “absolutamente lamentável” que o problema verificado no Queimódromo sirva para a chicana política na cidade. “É baixar ao mais baixo nível”, declarou o autarca.