Política

Augusto Santos Silva, recordista no poder: "Yes, prime minister"

3 julho 2021 13:56

Ângela Silva

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Tiago Miranda

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É nº 1 no top 10 dos governantes com mais tempo em funções. Tutelou cinco pastas. Foi “cão de guarda” e diplomata. E define-se como “um cientista profissional”. Fechada a presidência portuguesa da UE, Augusto Santos Silva quer sair de cena. Quando Costa deixar, claro

3 julho 2021 13:56

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Tiago Miranda

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A‘geringonça’ está longe de ser a única originalidade política do consulado de António Costa. Quem fosse ‘mosca’ e entrasse num Conselho de Ministros presidido pelo atual líder do PS acharia estranha a pergunta que Costa já repetiu mais do que uma vez, sobretudo em momentos de maior divisão interna, tendo como destinatário o seu nº 2 no Governo. “Senhor ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, já consultou a sua sogra?” Augusto Santos Silva tem um bom autocontrolo (só costuma perder a compostura quando quer) e normalmente nem se ri — responde ao ‘teste da sogra’ em tom institucio­nal. “Até a minha sogra, que vai sempre à missa, acha que nesta fase ainda é cedo”, respondeu “o Augusto” (como os colegas o tratam) numa das reuniões em que a difícil gestão da pandemia chegou a colocar em lados opostos da barricada as sensibilidades e conveniências dos titulares das diferentes pastas. Abrir ou não as missas foi apenas uma microquestão em que o primeiro-ministro passou a palavra ao nº 2. Mas quem semanalmente se senta na enorme mesa oval do Executivo sabe que ali, em vez do ‘teste do algodão’, há o ‘teste da sogra’. Um mero pretexto para “o António” abrir espaço para que o “Augusto” faça a síntese. Normalmente, na base do bom senso.

Isto não é muito comum nos ministros dos Negócios Estrangeiros, embora haja o recente exemplo de Paulo Portas que, tutelando a política externa, também foi nº 2 na condução da política interna com Pedro Passos Coelho. Mas não são casos comparáveis. Portas era muitas vezes um contrapoder junto de um primeiro-ministro com quem competia e de quem divergiu em questões vitais, chegando a bater com a porta. Santos Silva é uma voz obrigatória no processo de decisão, mas nunca entra em confronto com o chefe do Governo, de quem é um aliado incondicional. Um ‘Yes, Prime Minister?’. Não é líquido mas já lá vamos. Pacífico e consensual é o estatuto que o ministro há anos consolidou de peça indispensável na engrenagem dos Governos socialistas.