Política

CDS/Açores fechou acordo com Chega à revelia do líder

21 novembro 2020 12:38

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos

josé sena goulão/lusa

Artur Lima assinou entendimento de incidência parlamentar com o partido de Ventura (ao lado do PSD e do PPM) sem que Francisco Rodrigues dos Santos, que tinha afastado essa hipótese, tivesse sido avisado

21 novembro 2020 12:38

Caiu com estrondo no CDS a notícia do Expresso de que o partido, afinal, também tinha assinado o acordo com o Chega nos Açores. O entendimento começou a ser contestado de imediato, em surdina, sobretudo depois de Francisco Rodrigues dos Santos ter sido categórico sobre o assunto. “O CDS celebrou um acordo para a formação de Governo apenas com o PSD e com o PPM, que fique muito claro”, garantiu o líder um dia antes de serem conhecidos os três documentos que serviram de base à 'geringonça' de direita.

O problema é que Rodrigues dos Santos foi ‘traído’ pela liberdade insular. Nessa quinta-feira, quando fez a declaração, o líder do CDS não sabia que Artur Lima, vice-presidente do partido e líder do CDS/Açores, tinha rubricado o acordo em que o Chega estava envolvido. O documento foi subscrito à revelia do presidente.

Ainda foi emitida uma nota em que Artur Lima procurou minimizar os danos, salientando que o pacto (de incidência parlamentar) só teve a bênção centrista por “lealdade institucional” ao PSD/Açores e para "confirmar a coesão da solução” política. Seja como for, os estragos estavam feitos. Um alto responsável nacional reconhece-os e confidencia ao Expresso que Artur Lima “criou um problema à direção”.