Política

Benfica. Marcelo forçou Costa a encontrar uma solução

19 setembro 2020 8:00

Luís Filipe Vieira, que também foi da Comissão de Honra de Costa à câmara de Lisboa, fez baixar a pressão ao retirar o nome do PM antes da reunião com Marcelo.

luís barra

Presidente deu tempo para uma saída. Recuo ficou fechado em cima da hora

19 setembro 2020 8:00

Muitas componentes para se fazer teoria abstrata.” Foi com esta frase singela que Marcelo Rebelo de Sousa ‘arrumou’ em público a teoria do primeiro-ministro segundo a qual o seu apoio “como adepto” ao presidente do Benfica é uma coisa e outra são as suas funções à frente do Governo. Não, para o Presidente da República o caso exigia explicações e ele tratou de elencar a delicadeza do que estava em causa: “O que se trata aqui é de uma situação muito concreta, envolvendo um titular de um órgão de soberania, um clube de futebol, um ato eleitoral de um clube de futebol, em determinadas circunstâncias, num contexto político e jurisdicional também determinado.” Ou seja, “muitas componentes para se fazer teoria abstrata”. O contexto jurisdicional não tardaria a ganhar rosto com a acusação ontem conhecida da Operação Lex, onde Luís Filipe Vieira é acusado de “recebimento indevido de vantagem” por parte de um juiz.

Marcelo não precisou de fazer um reparo público à presença do primeiro-ministro na comissão de honra da recandidatura de Vieira à presidência do Benfica. E não há garantias de que o fizesse caso a situação não tivesse sido entretanto corrigida (pelo contrário, fonte próxima antecipou ao Expresso que, após dar gravidade ao tema e deixando claro que a decisão do primeiro-ministro é censurável à lua da sua cartilha ética, o Presidente não iria escalá-lo politicamente). Outra coisa era Marcelo ter a expectativa de que as suas palavras surtissem efeito e tivessem “consequências”. E isso foi o que acabou por acontecer.