Política

Rio arrasa contratação de Cristina pela TVI: “Percebe-se agora o apoio de €15 milhões do Governo”. E pergunta se o PS vai ajudar o Benfica

18 julho 2020 19:29

rui manuel farinha/lusa

Líder social-democrata levanta dúvidas sobre contratação milionária num momento em que sector dos media está a beneficiar de apoios estatais por conta da pandemia. David Justino considera que a transferência de Cristina Ferreira é “pornográfica” e Poiares Maduro também alinha nas críticas

18 julho 2020 19:29

Rui Rio voltou ao ataque ao programa de apoio de 15 milhões de euros aos media, desenhado pelo Governo para conter o impacto negativo da pandemia de covid-19. Depois de ter equiparado a comunicação social a uma fábrica de sapatos, agora o presidente do Partido Social Democrata lança uma farpa à contratação de Cristina Ferreira pela TVI.

“Percebe-se agora o apoio de 15 milhões de euros do Governo a este setor; realmente as despesas são muitas e a crise é grande”, comenta Rui Rio num tweet em que coloca a notícia do Expresso sobre o pedido de indemnização de pelo menos 4 milhões da SIC à sua antiga apresentadora, que esta sexta-feira anunciou o seu regresso à TVI.

Rui Rio até ironiza com as negociações do Benfica para a contratação de Jorge Jesus, também confirmadas no mesmo dia: “Aguardemos agora notícias sobre o apoio público socialista à dispendiosa contratação do novo treinador do Benfica”.

No passado, o líder do maior partido da oposição já tinha criticado o programa de apoio destinado aos media, dizendo que era apenas uma forma de o Governo “passar a sua mensagem”. “As empresas de comunicação social são empresas iguais às que fabricam móveis, sapatos, têxteis. Se têm uma dificuldade, devem ter todos os apoios que existem para todas as empresas.” Mais: “15 milhões de € de impostos para ajudar a pagar os programas da manhã e o Big Brother que voltou em força. Tanto me têm atacado por eu não compreender esta urgência democrática”, tinha já criticado também o antigo presidente da Câmara do Porto, que foi um dos políticos convidados de Cristina Ferreira no "O Programa da Cristina", na antena da SIC.

Agora, em relação à polémica transferência, Rio não está sozinho e o seu vice, David Justino, já tinha feito um comentário na mesma linha, mas ainda mais duro: “Face aos 15 milhões de ajuda do Governo às empresas de comunicação social, o regresso de Cristina Ferreira à TVI é um negócio pornográfico”.

Com 3,3 milhões de euros, a Media Capital, dona da TVI, é uma das principais beneficiárias do programa do Governo de compra antecipada de publicidade institucional, logo após a Impresa (dona do Expresso e da SIC), que recebe uma fatia de 3,5 milhões do programa. Este programa foi desenhado como uma forma de compensação pela perda de receitas do sector da comunicação social (que salvaguarda o direito à liberdade de informação previsto na Constituição) devido à pandemia.

Mas as críticas do PSD não se ficam pela atual direção. Também no Twitter houve uma outra consideração, desta vez deixada por Miguel Poiares Maduro, lamentando não haver condições associadas ao programa de ajuda: “As empresas privadas devem ser livres de pagarem aos seus funcionários e gestores o que quiserem. É o mercado que as vai premiar ou penalizar por essas decisões de risco. Mas é diferente quando pedem apoio financeiro ao Estado. E não devia ser relevante de quem se trata”.

Aliás, o antigo ministro de Passos Coelho compara até com os bancos, dizendo que aqueles que receberam auxílio financeiro estatal ficaram sujeitos a tetos salariais (essa ajuda ocorreu durante o Executivo da coligação PSD e CDS, que integrou).

“Ninguém parece incomodado com contratações milionárias por empresas de media que ainda há pouco reclamavam e receberam auxílios público”, disse, comparando sectores que, ainda assim, têm diferenças consideráveis nos apoios estatais recebidos – o Tribunal de Contas calcula os auxílios à banca em mais de 18 mil milhões de euros na década terminada em 2018, sendo que a fatura tem crescido anualmente, sobretudo com as injeções no Novo Banco.

A contratação de Cristina Ferreira marcou a última sexta-feira, sendo que a apresentadora já disse que vai para a TVI porque a estatação "precisava" de si". "Ninguém gosta de ver a casa mãe a cair".

Segundo noticiado, a TVI irá pagar 3 milhões de euros anuais de salário à apresentadora, que será também diretora com responsabilidades na ficção e entretenimento, bem como administradora e ainda acionista da Media Capital. A SIC, que Cristina Ferreira abandonou deixando por cumprir o contrato até 2022, pede uma indemnização que poderá ascender a pelo menos 4 milhões de euros (2 milhões serão pagos pela Media Capital).