Política

Fernando Medina “determinado” a criar um futuro melhor para a cidade após pandemia

6 julho 2020 12:30

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, mostra ao Expresso a área da cidade onde, a partir de junho, só poderão circular veículos de moradores, lojistas, transportes públicos e carros elétricos

tiago miranda

Num artigo de opinião publicado no jornal “Independent”, o autarca de Lisboa promete uma nova cidade após a crise pandémica, mais voltada para os trabalhadores e não só para os turistas

6 julho 2020 12:30

Se é verdade que a pandemia tem servido de reflexão para muitos, Fernando Medina parece não ter sido exceção. O autarca de Lisboa admite que reavaliou as prioridades para a capital e decidiu deixar que o centro da cidade seja apenas dominado por alojamentos para turistas. E dá como exemplo o programa de rendas acessíveis.

"Como muitas outras cidades, estamos a reavaliar as nossas prioridades no pós-pandemia e queremos colocar os principais trabalhadores que conduziram Lisboa na crise do Covid-19 no topo da lista. Agora é o momento de fazer as coisas de forma diferente", escreveu Fernando Medina num artigo de opinião publicado esta segunda-feira no jornal inglês "Independent".

Inicialmente, a coluna publicada no site transmitia a ideia de que depois do coronavírus, Lisboa ia "livrar-se dos Airbnb", mas entretanto a autarquia pediu que o respetivo título e o lead fossem corrigidos. "O que foi feito ali foi uma má interpretação. Continuamos a querer turistas na cidade, obviamente, mas queremos apostar também noutro tipo de investimento e canalizar mais casas para o programa de renda acessível", diz ao Expresso Pedro Sales, asessor da Câmara Municipal de Lisboa.

Sublinhando que um terço do centro da cidade é ocupado com alugueres de temporada, o autarca garante que quer devolver a cidade à população e trazer de volta ao centro aqueles que são a "força vital", ao mesmo tempo em que Lisboa se torna mais sustentável, depois de este ano ter recebido o título de Capital Verde Europeia 2020.

"Nos últimos anos, Lisboa beneficiou muito com os milhões de turistas que percorrem as nossas ruas de paralelepípedos e desfrutam de nossos restaurantes e bares mundialmente famosos, mas pagámos um preço social", argumenta.

Para Medina, a autarquia deve privilegiar também habitações no centro para funcionários de hospitais, trabalhadores de transportes, professores e outros profissionais de serviços essenciais através de rendas acessíveis para uma cidade "mais equitativa".

Essa opção, frisa Medina, permitirá também ajudar a enfrentar a crise climática e a melhorar a saúde pública, uma vez que haverá menos pessoas a deslocar-se para o centro diariamente e, por consequência, menos poluição.

"É por isso também que, em Lisboa, estamos a criar ciclovias e áreas verdes e outros espaços públicos para dar às pessoas mais lugares para socializarem e se exercitarem. Enquanto autarca , estou determinado a criar um futuro melhor a partir da tragédia da pandemia de coronavírus", garante.

Medina assegura ainda que Lisboa continuará de braços abertos para o turismo: "É simplesmente tempo de fazer as coisas de maneira diferente e os turistas serão também beneficiados. Encontrarão uma cidade mais limpa, mais verde e viva, em vez de uma que corre o risco de se tornar um belo museu", conclui.

Artigo atualizado às 15h30