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Política

Luís Marques Mendes: Centeno já foi um “trunfo político e eleitoral”. Agora é um “pesadelo”

Marques Mendes diz que Mário Centeno “é cada vez mais factor de problema do que factor de solução”. Para onde irá o atual ministro das Finanças? “Se sair no próximo ano, irá seguramente para governador do Banco de Portugal”, opina o comentador

Expresso

Mário Centeno, que este sábado, em entrevista ao Expresso, deixou em aberto a possibilidade de abandonar o Governo, já foi um “trunfo político e elitoral” para António Costa, mas agora é “cada vez mais um pesadelo para os seus colegas e mesmo para o PS”. A opinião é de Luís Marques Mendes que, no espaço de comentário deste domingo na SIC, afirmou que o ministro das Finanças “não tem mais nada a conquistar: Depois de acabar com o défice e conquistar um superávite, já tem o seu lugar na história”.

O antigo presidente do PSD considerou que “quanto mais tarde Centeno sair pior para ele”, porque “internamente vai ser cada vez mais contestado e fragilizado, até por uma razão essencial: está há muito em rota de colisão” com o primeiro-ministro. Marques Mendes acrescentou que Mário Centeno “é cada vez mais factor de problema do que factor de solução”. Para onde irá o atual ministro das Finanças? “Se sair no próximo ano, irá seguramente para governador do Banco de Portugal”, opina o comentador.

Sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2020, o comentador disse que lhe falta “a marca” de António Costa, embora tenha a marca do ministro das Finanças. “Falta um rumo, um objectivo estratégico, uma causa”, declarou Marques Mendes. “Mal ou bem, os orçamentos da geringonça tinham um rumo, o rumo da recuperação de rendimentos”, enquanto o Orçamento para 2020 “não tem qualquer rumo, esgota-se nas contas certas” e o “resto é navegação à vista, é tudo avulso”.

Marques Mendes elogia a perspectiva de o Governo atingir o final do ano que vem com um excedente nas contas públicas, mas critica o “novo aumento da carga fiscal”. A causa política para este agravamento do peso dos impostos sobre as famílias e as empresas é atribuído à “falta de oposição”, acrescenta o comentador. “Se houvesse uma oposição, o Governo assustava-se com este constante aumento da carga fiscal” e “arrepiava caminho”. Acontece, do ponto de vista do antigo líder social-democrata, que “PSD e CDS não são oposição, deixam o Governo à solta” e, por isso, “o Governo vai cavalgando a onda da carga fiscal”. Conclusão: “É mau para o país e péssimo para a democracia”.

Os antigos parceiros da geringonça deviam abster-se na votação da proposta de Orçamento. Se PCP e Bloco de Esquerda votarem a favor, “cometem dois erros”, considera Marques Mendes: “Primeiro, prolongam a geringonça que formalmente acabou; segundo, aprovam um excedente orçamental”. Para o comentador, “se aprovar a redução do défice já significava engolir uns sapos, aprovar um excedente é engolir um elefante”.

No caso de PCP e BE optarem por votar contra, “ninguém os vai compreender”, porque “passar da aprovação no passado para a rejeição no presente é passar do 8 para o 80” e, “apesar de tudo, este Orçamento do Estado tem muito de continuidade”. O partido a que já presidiu não escapa a uma crítica. “Não se percebe a hesitação, já devia ter anunciado o voto contra”. E Marques Mendes explica: “Basta o aumento da carga fiscal para, em coerência, o PSD votar contra”. Para o comentador, as hesitações “minam” a oposição do PSD: “Parece um aliado do Governo”.

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