O Partido Socialista divulgou este sábado o seu programa eleitoral, que está a ser apresentado numa convenção nacional em Lisboa, mas a apresentação das promessas socialistas não está a ser acompanhada de informação sobre o impacto financeiro dessas propostas.
Desde o início da elaboração do programa eleitoral, o PS assegurou que todas as ideias que constassem do documento teriam de passar por um crivo de sustentabilidade financeira, sendo quantificadas e acomodáveis nos princípios de "contas certas" com que o partido se apresenta a votos. Porém, questionado pelo Expresso sobre essas contas, o coordenador do programa do PS recusa-se, para já, a revelá-las.
"A quantificação está feita", assegura João Tiago Silveira, presidente do gabinete de estudos do PS e coordenador do programa revelado este sábado. Porém, essa quantificação não foi revelada com o programa, nem será para já. "Veremos em que momento iremos apresentar essa quantificação ou dar mais informação sobre essas contas", diz João Tiago Silveira.
“Todas as medidas foram testadas”
O responsável socialista lembra que "os pressupostos do cenário macro-económico estão no programa", e deixa uma garantia: "Garantimos que todas as medidas foram testadas e cabem no cenário macro-económico que elaborámos." O cenário, em linha com todas as previsões macroeconómicas do Governo, prevê um crescimento do PIB em Portugal de 1,9% em 2019, aumentando para 2,2% em 2023 (uma décima acima da previsão inscrita no programa de estabilidade).
Questionado sobre a credibilidade de contas que ficam em segredo e de impactos financeiros que o PS não revela, João Tiago Silveira direciona a questão para as promessas do maior partido da oposição: "Talvez seja a altura de perguntar ao PSD qual o impacto financeiro das suas medidas", diz o socialista, puxando para o PS os galões de já ter dado provas de equilíbrio financeiro e "contas certas".
Sobre as contas concretas de medidas como, por exemplo, as que foram reveladas hoje para a saúde - marcação de consultas também ao sábado no SNS, óculos grátis para menores de 18 anos ou carrinhas para cuidados de saúde de proximidade nos territórios do Interior -, os números vêm mais tarde. Se vierem.