Política

Professores abrem época de “grandes protestos”

23 março 2019 9:31

AVISO Onze anos depois da maior manifestação de sempre contra uma ministra da Educação, os professores voltam, esta tarde, ao Terreiro do Paço. “Os partidos vão perceber a mensagem”, garante Mário Nogueira, o líder da Fenprof que em 2008, como agora, reclama uma mudança de atitude do Governo e a contagem integral do tempo de serviço congelado aos docentes. “O Governo é insensível ao que é injusto e ao que é constitucional”, afirma, num apelo a que “nenhum professor falte” ao que os sindicatos pretendam que venha a ser uma “afirmação de vontade de que é aqui e agora que isto tem de mudar”.

marcos borga/visão

Sindicatos querem repetir, esta tarde, no Terreiro do Paço, o mega protesto que, há 11 anos, desgastou o Governo de José Sócrates. A luta é para continuar com greves que irão atingir o final do ano lectivo e o arranque do próximo, promete a plataforma sindical. Em ano de eleições, a tensão cresce e a ex-secretária de Estado do PS Ana Benavente avisa: “o PS falhou com os professores e vai pagar esta fatura”

23 março 2019 9:31

Onze anos depois das grandes manifestações contra o Governo de José Sócrates, os sindicatos dos professores regressam, esta tarde, ao Terreiro do Paço. O braço de ferro contra a então ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, começou, ali, a pender para o lado dos professores e os sindicatos acreditam que a História se pode repetir.

“É uma responsabilidade muito grande e quisemos assumi-la. É um espaço enorme, mas quisemos mostrar ao Governo, ao poder e aos portugueses que a indignação dos professores hoje é igual à que tiveram quando lhes tentaram dar cabo da carreira", disse à Lusa Mário Nogueira, secretário geral da Fenprof, desde o tempo da ex-ministra de Sócrates até agora. Não restam dúvidas: "o Terreiro do Paço é como o algodão, não deixa enganar. Ou está cheio ou não está”, disse.

A manifestação nacional de professores repete, esta tarde, o percurso feito há 11 anos contra o Governo Sócrates. Convocada pelas dez estruturas sindicais de professores que formam a plataforma unitária, parte às 15 horas do Marquês de Pombal, descendo a Avenida da Liberdade e terminará no Terreiro do Paço. Em cima da mesa está a contagem integral do tempo de serviço congelado aos docentes, num total de nove anos, quatro meses e dois dias.

Os sindicatos reclamam ter o apoio integral da classe dos professores para a adoção desta e de mais formas de luta. De acordo com um inquérito feito junto de mais de 30 mil docentes, a plataforma sindical afirma que a esmagadora maioria (97%) considera que a exigência de ver todo o tempo de serviço contado deve ser mantida como principal reivindicação. Cerca de 88% dos inquiridos recusou que um faseamento dessa recuperação ultrapasse o prazo já adotado na região autónoma da Madeira, ou seja, 2025. Apenas 1% dos docentes afirmou-se favorável a acatar o diploma proposto pelo Governo e que reduz para cerca de dois anos o tempo de serviço recuperado da carreira dos professores.

No mesmo inquérito, o prosseguimento das formas de luta é, também, valorizado pelos inquiridos. Mais de 90% já quer agendar para 5 de outubro (Dia Mundial do Professor e na véspera das próximas Legislativas), uma nova manifestação nacional. A maioria defende ainda a convocação de greves, que podem atingir as avaliações de fim do ano lectivo ou mesmo as datas dos exames nacionais. 55,4% dos docentes consideraram ainda que, caso o conflito com o Governo não se resolva, a luta deverá ser retomada com o início do próximo ano escolar, ou seja, logo em 1 de setembro.

Ana Benavente: “o PS falhou com os professores

No dia da manifestação de professores, a antiga secretária de Estado da Educação do Governo de António Guterres, Ana Benavente, criticou duramente a política educativa seguida pelo atual Governo. Em entrevista ao jornal «Sol», lamentou que a antiga "paixão da Educação" proclamada pelos socialistas esteja "hoje murchíssima" e assumiu que os professores são uma classe "muito mal tratada".

"O PS falhou e vai pagar esta fatura durante muito tempo. Não só em termos políticos, imediatos, porque os professores não votarão PS com facilidade. Mas não só", disse. O comportamento do atual Governo "feriu o melhor que o país tem. A escola pública não pode ser maltratada assim", afirmou Ana Benavente.

Já quanto ao atual ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, antiga responsável governamental considerou que "está lá para fazer o que mandam fazer". "Não conhece as escolas e não tem experiência. Não tem projeto nem programa, a não ser aquele que o PS o manda executar. Acho lamentável", conclui.