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Bloco de Esquerda: 25 militantes rompem com o partido, incluindo dois irmãos do fundador Francisco Louçã

MANUEL DE ALMEIDA/Lusa

Vinte e cinco militantes do Bloco de Esquerda decidiram abandonar o partido e explicaram a decisão numa carta enviada à mesa nacional

“Resolvemos deixar o Bloco porque não podemos ignorar o caminho de institucionalização dos últimos anos que transformaram o partido, de instrumento de luta política, num fim em si mesmo”, começam por referir na carta os 25 bloquistas que esta terça-feira tornaram pública a sua desvinculação do partido liderado por Catarina Martins.

A carta, revelada num primeiro momento pelos jornais "i" e "Sol", foi assinada, entre outras personalidades, pelos irmãos do antigo dirigente Francisco Louçã – Isabel Louçã e João Carlos Louçã e é toda feita de duras críticas. No tal capítulo da "institucionalização do partido", os 25 escrevem que “o tacticismo de decisões, o jogo da comunicação na sua forma burguesa, a ausência de qualquer activismo local inserido numa estratégia de construção do partido, a progressiva ausência de pensamento crítico acompanhada pela hostilização da divergência interna e profundo sectarismo com outras forças de esquerda, transformaram o BE num projecto reformista centrado na sua própria sobrevivência”.

Depois de um parágrafo dedicado à denuncia da "resposta tíbia" do Bloco à questão do Bairro da Jamaica, os agora ex-bloquistas falam mesmo em expulsão de militantes e em perseguições: “Sem espaço para a construção colectiva, perseguindo e expulsando militantes, manipulando eleições internas de forma a garantir a ficção de um partido coeso, ao mesmo tempo que a grande maioria dos e das aderentes se abstém em todos os processos de debate e decisão onde imperam os acordos de cúpula, o Bloco tornou-se numa organização hierárquica e cristalizada”, lê-se.

O grupo considera ainda que o partido “deixou de servir” para "pensar colectivamente os caminhos da emancipação, deixou de ser capaz de uma prática política coerente com as tradições comunistas, socialistas ou libertárias, deixou de ser capaz de transformar esperança militante em energia transformadora”.