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PAN quer “sentar o planeta no Parlamento Europeu”

Francisco Guerreiro

Foto Cláudio Damião

O partido ecologista, que diz não ser de esquerda nem de direita, quer repetir a façanha das legislativas, agora na Europa. Diz-se “europeísta convicto” e promete combater lóbis poderosos, se conseguir sentar um deputado no Parlamento Europeu

Desafiar lóbis poderosos em nome do ambientalismo, adaptar a economia às alterações climáticas, integrar quem imigra e combater os nacionalismos. São estes os traços principais do programa que o PAN - partido Pessoas-Animais-Natureza - irá apresentar na corrida ao Parlamento Europeu, no próximo mês de maio, e com os quais espera distinguir-se - até porque, defende, seria o primeiro verdadeiro partido ecologista no Parlamento Europeu.

A agenda nacional do PAN, que em 2015 surpreendeu ao reunir votos suficientes para entrar com um representante na Assembleia da República, é conhecida. Primeiro, sucederam-se as brincadeiras com o partido do deputado único que dizia - e diz - não ser nem de esquerda nem de direita; depois, começaram a suceder-se as iniciativas aprovadas ou, sobretudo, os temas pelo menos levados a discussão pública e colocados na ordem do dia em Portugal (recentemente, aconteceu com as touradas).

A ideia passa agora por levar a mesma estratégia para a Europa, representando o “movimento da sociedade civil” a quem o PAN diz já dar voz em Portugal. Quem o explica ao Expresso é Francisco Guerreiro, cabeça de lista do partido às europeias que espera ser o segundo nome do PAN a tornar-se familiar para os portugueses, quatro anos depois de o deputado André Silva se ter sentado pela primeira vez no Parlamento. Guerreiro, de 34 anos, formou-se em comunicação social e trabalhou em estudos de mercado, tendo já sido candidato autárquico a Cascais e desempenhando atualmente funções como assessor parlamentar. O próximo objetivo é chegar à Europa, até porque o PAN estabelece como meta precisamente a eleição de um eurodeputado: “Um desafio difícil, mas não de todo impossível”.

“Vamos sentar o planeta no Parlamento Europeu”, promete Francisco Guerreiro. As bandeiras principais passam pela ecologia e defesa do ambiente, mas também pelo combate de interesses de grandes indústrias. “Queremos adaptar a economia às alterações climáticas, fazer a transição energética e fechar a torneira às grandes indústrias poluentes”, defende. Os grandes objetivos devem ser concretizados, entre outras coisas, por “reforçar as energias renováveis, a mobilidade elétrica, a aposta na ferrovia”. Mas também “apostar no autoconsumo”, para que “cidadãos e comunidades possam produzir a sua própria energia” - uma série de mudanças que diz não ter ainda acontecido “por falta de vontade dos Estados-membros, como de Portugal”.

“Apontar sempre o dedo a Bruxelas é curto”

Questionado sobre a sua posição relativamente à Europa, Guerreiro define-se - e define o PAN - como um “europeísta convicto” que condena “discursos nacionalistas”. Também não adota o discurso mais eurocético da esquerda portuguesa: “Não somos muito favoráveis a apontar o dedo a Bruxelas. Nós não soubemos aproveitar mais-valias como os fundos comunitários. Temos desequilíbrios na balança comercial e no défice; parece curto estar sempre a apontar o dedo a Bruxelas”, defende.

Também por isso, classifica os discursos dos defensores do Brexit que compuseram a campanha vencedora do “leave” como “nacionalistas e bacocos”, resultantes de um “discurso empolado durante várias décadas”. “O processo começou torto” e agora a solução parece difícil, “a não ser que haja um segundo referendo”, lamenta Francisco Guerreiro.

E quanto aos migrantes? “A Europa não pode esperar resolver migrações se não tiver uma relação mais justa com os seus parceiros, nomeadamente África e Médio Oriente”, garante. Significa isto que deve haver mais diplomacia e menos “intervenções desestabilizadoras”, porque “o intervencionismo leva à instabilidade”, argumenta. Por isso, o PAN defende um meio termo: acordos de “imigração responsáveis” para quem precise, mas com “melhor distribuição” e programas de acompanhamento para emprego mas também a nível linguístico e cultural nos municípios que recebam migrantes.