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Martins da Cruz: "Não podemos falhar"

No congresso fundador do Aliança, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros citou Marguerite Yourcenar: "A política é a arte de ocupar os espaços". É o que Santana Lopes está a tentar fazer.

Vítor Matos

Vítor Matos

Editor de política

António Martins da Cruz foi diplomata, embaixador, assessor de Cavaco Silva em São Bento, próximo de Durão Barroso nas Necessidades, ministro dos Negócios Estrangeiros durante o barrosismo, colaborador de Luís Filipe Menezes na câmara de Gaia, e amigo de Pedro Santana Lopes "há mais de 30 anos". Agora, mais do que isso, é um dos notáveis que arriscaram e transitaram do PSD para a Aliança, pelo que não convém que corra mal a nova experiência da direita: "Não podemos falhar!" E citou Marguerite Yourcenar: "A política é a arte de ocupar os espaços". É o que Santana Lopes está a tentar fazer.

O antigo MNE fez uma intervenção a olhar para o mundo, não só sobre o lugar de Portugal, mas também sobre o papel da Aliança à luz da "fragmentação dos partidos tradicionais" na Europa. "A rigidez do nosso sistema político assenta em partidos tradicionais, como se não fosse possível aderir a outras vias políticas".

Falou da sua "experiência internacional", que lhe permitiu ver nascer "projetos políticos inovadores, que já cresceram e se afirmaram em países como Espanha, França e Itália" - embora não tenha dito de que projetos políticos estava a falar, criticando os partidos portugueses de viverem num "casulo", em que o que dizem não se distingue da linguagem dos políticos em Berlim, Paris ou Bruxelas. Os novos partidos "são exemplos de vitalidade da sociedade civil. O que é que esses países têm melhor do que nós para não o fazermos em Portugal?", questionou.

Em França, os coletes amarelos estão a "tentar furar esse bloqueio, embora nem sempre bem", referiu, para depois desferir à Europa as críticas que se esperava ouvir na Arena de Évora. "Estamos aqui para imprimir novos rumos a Bruxelas. Não queremos uma Europa esotérica para as pessoas, que não diz nada a ninguém". Justificou a linha atlantista da política externa apesar de Trump, e lembrou que as chancelarias vão estar atentas ao que se está a passar em Évora.