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Marcelo no “Hiper open space” Expresso/SIC: “Como jornalista, eu seria uma pedra no meu sapato”

Marcelo na redação do Expresso e da SIC elogia a “coragem e a ousadia” de Balsemão

TIAGO MIRANDA

“Quando sair de Presidente, não regresso à comunicação social”, garantiu Marcelo Rebelo de Sousa na inauguração do novo espaço Expresso/SIC. Num ambiente onde se move como peixe na água, o PR deu uma entrevista de pé, puxou pela sua última decisão “arrojada”, falou de um momento mau do mandato e explicou como é importante um Presidente que, sendo de direita, esteja em melhores condições para conviver com um Governo de esquerda. Ainda se meteu com José Gomes Ferreira: “Você ontem foi muito simpático com o primeiro-ministro”

Um "Hiper open space". Bom slogan o que Marcelo Rebelo de Sousa inaugurou esta tarde na festa/inauguração do novo espaço Expresso/SIC, em Laveiras. O Presidente da República andou uma hora a passear pelas novas instalações, sempre em modo de entrevista de pé. E embora não tenha escolhido este dia para confirmar que se recandidata, teorizou sobre as vantagens para o país de ter em Belém um Presidente "que, vindo da direita, esteja em melhores condições para conviver com um Governo de esquerda".

Um convívio que Marcelo quer vivo. "Você ontem foi muito simpático com o primeiro-ministro", espicaçou o Presidente no abraço que deu a José Gomes Ferreira, o jornalista da SIC que na véspera entrevistara António Costa. Se ainda fosse jornalista ou comentador, Marcelo Rebelo de Sousa reconhece que não seria pera doce para o Marcelo Chefe de Estado: "Eu seria uma pedra no meu sapato. Era com certeza uma pedra no sapato dos políticos".

Marcelo Rebelo de Sousa deu uma entrevista em pé no estúdio da SIC/-Notícias

Marcelo Rebelo de Sousa deu uma entrevista em pé no estúdio da SIC/-Notícias

TIAGO MIRANDA

A visita ao "hiper open space" teve um cheirinho a Canal Memória. O nascimento do Expresso, os anos a comentar na SIC, as fotos da sua louca campanha à câmara de Lisboa postas a enfeitar as paredes de um estúdio, os dias vividos no Expresso com Francisco Pinto Balsemão, desde os tempos da censura.

E agora ... "aqui estamos, no espaço do dr. Marques Mendes". Clara de Sousa, a jornalista que todos os domingos conversa com o atual comentador líder de audiências na SIC deu a deixa. Mas Marcelo não a agarrou. Preferiu falar de como continua viciado em informação - quando chega a casa põe o comando a andar para trás - e de como tem as saudades resolvidas: "Isto é outra vida".

Desta outra vida, o Presidente grava um momento mau do mandato - "o desmaio em Braga" - e dá lustro aos galões por uma das suas decisões "mais arrojadas" - a promulgação, já esta semana, do diploma que levanta o sigilo bancário para contas acima de 50 mil euros. "É preciso criar confiança nas pessoas".

Cauteloso sobre os dois temas quentes que aí estão - a greve dos enfermeiros e a Lei de Bases da Saúde - Marcelo não ofereceu aos entrevistadores de pé mais do que um "Vamos ver. Vamos ver". Mentira. Acabou por fazer de comentador, com a teoria de que a defesa do Governo de Uma Lei de Bases da Saúde apenas à esquerda pode não ser mais do que "uma demarcação fácil, uma estratégia de afirmação, a poucos meses das eleições".

De estúdio em estúdio, Marcelo ainda esbarra com Rui Gomes da Silva, o ex-ministro da comunicação social de Santana Lopes com quem se zangou por causa dos seus comentários na TVI. "Quem vai ganhar logo, Benfica ou Sporting?", aligeira Gomes da Silva, agora comentador desportivo da SIC. Marcelo não alinha: "Não posso dizer. Sou o presidente de todos os clubes".

Na escadaria de saída, adivinhe quem apareceu no caminho de Marcelo Rebelo de Sousa? Assunção Cristas, a líder do CDS, que já motivou uma peça jornalística do Expresso, com o título: "Marcelo vai? Cristas também".

Faltava o discurso. E o discurso do Presidente da República foi um rasgado elogio a Francisco Pinto Balsemão pela "coragem" e "ousadia" que revela com o lançamento desta nova fase da Impresa. "É uma alegria em termos democráticos ver o percurso de que é feito e que nasce da iniciativa de um homem", afirmou.

Marcelo faria, aliás, uma espécie de reconhecimento da influência que Balsemão teve na sua vida, ao mencionar a participação no Expresso e depois no Governo balsemista, como transformadora: "A importância que teve na minha vida futura", assumiu, sem que na época tivesse a noção da importância que esses passos iam ter. Foi o colunista mais influente do jornal aos 25 anos, diretor por volta dos 30, a seguir secretário de Estado e ministro. E hoje um case study de popularidade como Presidente da República. Os anos em que comentou na TV não terão sido indiferentes.