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Luís Montenegro: “Se Sá Carneiro estivesse na minha posição faria o mesmo”

O candidato à liderança do PSD diz que a aprovação da moção de confiança não será para si uma derrota, pois o seu desafio foi para diretas e não para um Conselho Nacional. Na primeira entrevista depois de exigir diretas já, Montenegro explicou o que o distinguirá de Rio: a capacidade de unir o PSD, a atitude e as prioridades

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Vítor Matos

Vítor Matos

Editor de política

“Se Sá Carneiro estivesse na minha posição, faria o mesmo; e se estivesse na posição de Rui Rio, teria aceitado o desafio e marcado eleições diretas” - foram as últimas palavras de Luís Montenegro na sua primeira entrevista depois de ter desafiado Rio para uma disputa da liderança do PSD. E terminou invocando o fundador e líder histórico do PSD, o mesmo que Rio invocou na declaração em que recusou o desafio de Montenegro e, em alternativa, marcou um Conselho Nacional (CN) para apresentar uma moção de confiança.

Montenegro repetiu na TVI que a convocação do Conselho Nacional para fazer passar uma moção de confiança é da exclusiva responsabilidade de Rui Rio, à semelhança do que já havia dito à saída do Palácio de Belém, esta segunda-feira. “Não fui eu que promovi a moção de confiança”, afirmou Montenegro, cujo plano A continua a ser a convocação de diretas, porque a legitimidade da liderança provém dos votos da militância: “Se não vai a votos, não representa a vontade direta dos militantes. O dr. Rio Rio não teve a coragem de enfrentar o veredicto dos militantes. Demitir-se-á se vir a moção rejeitada e então provoca a eleição. Se a vir aprovada, manter-se-á infelizmente, porque não quis ouvir o partido”.

Apesar de desvalorizar os resultados do órgão que funciona como parlamento do partido, Montenegro fez um apelo aos conselheiros - o apelo que não poderá fazer-lhes pessoalmente, pois não faz parte do CN: “Os conselheiros devem saber que há um líder e uma pessoa que está disponível para disputar essa liderança. Essa disponibilidade tem de ser encarada. Seria mais agradável para mim que as coisas se fossem deteriorando e tivéssemos um mau resultado nas eleições”.

“Era a única altura em que isto podia acontecer”

Questionado sobre o timing do seu avanço, Montenegro justificou que “era a única altura em que isto podia suceder”. E explicou: Rio venceu há um ano, com uma estratégia com qual Montenegro esteve “sempre em desacordo”, embora “perfeitamente legítima”. Porém, “ o tempo que passou foi agravando a situação do PSD”, e no verão “começou a estabilizar o nível de falta de aceitação nas sondagens, que é constante”.

Para além do mau desempenho nas sondagens, Montenegro voltou a acusar Rio de não ter sido capaz de unir o partido, por não querer, e de ter posicionado o PSD como “muleta do PS quando este não tem os votos do PCP e do BE”.

E concluiu: “Tendo dado um ano a Rui Rio para que pudesse executar a sua estratégia, e concluindo que essa estratégia tem maus resultados, só há uma altura em que se pode promover a mudança: antes do periodo eleitoral e sem perturbar o periodo eleitoral”.

Montenegro insistiu que os timings são viáveis e que, se o partido não arrastar este processo, “estamos em condições de ter um novo líder em março”, dois meses antes das europeias e a sete meses das legislativas, “bem a tempo de firmar a posição política do PSD”.

Para além da vantagem de arrumar a casa antes do período eleitoral, Montenegro defendeu que os últimos dias provaram que “talvez uma campanha interna pudesse ser o espicaçar do PSD perante os portugueses”.

As diferenças: unidade, atitude, prioridades e… professores

O antigo líder parlamentar apresentou três eixos em que a sua liderança seria diferente da de Rui Rio: a unidade, a atitude e as prioridades. “Creio que é possível dividir agora para unir e agregar a seguir”, afirmou, insistindo que “Rio não chamou todos porque não quis”. Quanto à diferença de atitude, Montenegro lembrou que “por opção estratégica, Rio colocou-se como muleta do PS, disponível para acordos; acordos que não resultaram em coisa nenhuma” - essa não seria a postura de um PSD liderado por Montenegro. Por fim, as prioridades. “O PSD tem de deixar muito claro como prioridade um programa político que dê melhores condições de vida à classe média”, com “mais crescimento” e “mais investimento”.

Montenegro demarcou-se do Governo na redução da jornada semanal de trabalho da função pública para 35 horas, e demarcou-se de Rio na questão da contagem do tempo de carreira dos professores - o líder do PSD concorda com a contagem total do tempo, Montenegro diz ter “muitas dúvidas na reivindicação dos professores como tem sido mantida de forma intransigente”.

Sobre objetivos eleitorais para o PSD, Montenegro colocou a fasquia na vitória eleitoral, e apontou como patamar mínimo “30 ou mais por cento”. “Menos de trinta, trinta e dois, trinta a três por cento é preocupante”.

“Poucas vezes estivemos abaixo [dos 30%] e sempre em condições excepcionais, e esta condição não é excepcional”, considerou o ex-líder parlamentar. Montenegro lembrou que o PSD foi o partido mais votado nas últimas eleições, depois da legislatura da troika, e considerou que se o PSD souber fazer uma comparação entre o que fez nesse mandato e o que a geringonça tem feito agora, o caso é favorável aos sociais-democratas.