Costa não quer que se confunda “a solução de governação” com os diálogos com PSD em matérias de regime
28.02.2018 às 16h33
Ma´rio Cruz/ Lusa
“Esta legislatura tem demonstrado que a democracia não se enriquece com exclusão, só com inclusão'. Por isso, Costa usa para a geringonça a fórmula “em equipa que ganha não se mexe” ao mesmo tempo que abre a porta ao diálogo com o PSD
Acalmar os parceiros de esquerda, mas abrir a porta ao PSD: foi esta a tónica das intervenções tanto de Carlos César, líder parlamentar do PS, como de António Costa, primeiro-ministro, no debate quinzenal desta quarta-feira. Costa registou “o novo empenho” da nova liderança do PSD em “dialogar” com o PS, até porque, frisou, este é o momento das grandes reformas, como a descentralização, que devem contar com consensos “da bancada do CDS à bancada do Bloco de Esquerda”.
Carlos César fez uma intervenção, neste que é o primeiro debate com Fernando Negrão à frente da bancada do PSD, em que esclareceu: “Não desejamos sucessos eleitorais ao PSD porque entendemos que o caminho não será o melhor para o nosso país. Mas é importante que as semelhanças [encontradas entre PS e PSD] não sejam sufocadas por um antagonismo fútil, inútil e desprestigiante”.
Por isso, saudando a mudança de poder no PSD - e salvaguardando a geringonça pelo caminho - César defendeu que é preciso, “em vários domínios, que esse diálogo seja estendido a todos os partidos políticos”.
Costa concordou e deixou uma mensagem para os parceiros de esquerda: “Quando as coisas correm bem, o melhor é não mudar e prosseguir”. Até porque se soube esta quarta-feira que o crescimento do ano passado “é o maior desde o início do século” e as provas em termos de indicadores económicos estão dadas.
Mas há uma distinção a fazer: é preciso “não confundir soluções de governação com o que o Governo tem dito sobre a necessidade, em matérias que transcendem o âmbito desta legislatura, de procurarmos o acordo mais alargado possível”. “Esta legislatura tem demonstrado que a democracia não se enriquece com exclusão, só com inclusão. A descentralização é a pedra angular da reforma de Estado e deve merecer o consenso o mais alargado possível”, argumentou. Tudo isto com um consenso que deve ser maior do que “dois terços” dos deputados, reafirmou Costa: “Num dia não podemos querer fazer um aeroporto e no seguinte achar que um aeroporto é megalómano” frisou.