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Santana diz que celebração do Governo com figurantes pagos "é inaceitável"

25.11.2017 às 17h39

Luís Barra

Candidato à liderança do PSD condena "utilização de dinheiros públicos" para a festa dos dois anos do Governo e diz que faz lembrar Sócrates

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Pedro Santana Lopes condenou este sábado o facto do Governo ter prevista uma sessão comemorativa dos seus dois anos em que os cidadãos convidados a colocar perguntas são figurantes pagos. "Obviamente é inaceitável", disse aos jornalistas, à entrada para uma reunião de campanha com militantes em Loulé.

A notícia foi avançada pelo "Sol", segundo o qual cada um dos cidadãos convidados para um focus group e um encontro com perguntas ao Governo receberá até 200 euros, para além de deslocação e alimentação pagos.

"Essa é uma história que faz lembrar outros tempos de governação socialista, nomeadamente do anterior governo do PS", disse Santana, invocando um episódio em que um grupo de imigrantes era pago pelo PS para encher comícios de José Sócrates.

"Isso de recorrer a figurantes ou pagar a pessoas para fazer perguntas é um péssimo caminho, é mesmo. E mistura é uma história que merece ser aprofundada de empresas de sondagens e investigadores independentes, é uma história que fica muito mal, nomeadamente com a utilização de dinheiros públicos."

O candidato à liderança do PSD disse que "pode ser admitido que um partido o faça, recorrendo ao seu orçamento, para fazer estudos de avaliação de imagem", lembrando mesmo que "o PS fê-lo logo a seguir aos incêndios de Pedrógão". Mas sublinhou que "da parte do governo a questão é diferente".

A entrevista de Jerónimo ao Expresso

Santana comentou também a entrevista que Jerónimo de Sousa deu à edição de hoje do Expresso. O antigo primeiro-ministro viu aí a evidência de que "o PCP não volta a ser aquilo que era no seio da coligação".

"Tendo acabado o estado de graça, e tendo-se modificado a relação entre o Governo e o Presidente da República, estamos perante uma alteração substancial do cenário político", avisou, sublinhando que "o PPD/PSD tem que se preparar tão denodadamente quanto possível mas também tão depressa quanto possível para concretizar a sua alternativa coerente a uma coligação incoerente".