Siga-nos

Perfil

Expresso

Muito Mais Do Que Sexo

Um ano de pandemia: quais as bóias de salvação para o prazer e o amor?

14 fevereiro 2021 11:00

Marta Crawford

Marta Crawford

Psicoterapeuta e sexóloga

Agora que voltámos a ficar cativos em casa estão a surgir novas oportunidades para os casais se aproximarem? Perante a adversidade surge o desejo de mais e melhor sexo e intimidade ou, pelo contrário, é terreno fértil para discussões, crises e separações? Até que ponto a pandemia, o medo e a ansiedade está a afetar a sexualidade das pessoas? E os solteiros estarão a passar a maior provação das suas vidas? A saída é a pornografia, a masturbação, a imaginação e as apps de engates? Como são os novos encontros higienizados e com máscara social? Está lançado o mote para o primeiro episódio do podcast/videocast “Muito Mais Do Que Sexo”, uma conversa sem preconceitos entre a sexóloga e psicoterapeuta Marta Crawford e o jornalista Bernardo Mendonça. Que o prazer esteja convosco

14 fevereiro 2021 11:00

Marta Crawford

Marta Crawford

Psicoterapeuta e sexóloga

O amor e o desejo estão em crise neste ano de pandemia? Eis o mote do primeiro episódio deste podcast numa conversa entre o jornalista Bernardo Mendonça e a sexóloga e psicoterapeuta Marta Crawford. Até porque com tantos desafios e contrariedades é muito fácil a sexualidade descarrilar. Especialmente nestes tempos distópicos. E no que se refere aos casais a intimidade pode ficar arrumada para segundo ou terceiro plano quando há outras prioridades na dinâmica familiar em pleno contexto de confinamento.

É o que nos relata o jornalista freelancer Paulo Farinha, de 45 anos, casado com uma enfermeira, pai de duas filhas, de 7 e 8 anos, que tem as energias agora dirigidas ao absolutamente essencial: O pagamento das contas, as rotinas domésticas, a exigência do teletrabalho tantas vezes fora de horas, a supervisão da telescola e a atenção constante necessária a dar a duas crianças pequenas que agora estão sempre em casa. “[Durante um tempo]estávamos debaixo de água a tentar manter a máquina em andamento e, de vez em quando, vínhamos à tona respirar um bocadinho. Sobretudo agora que as crianças estão em casa estamos novamente debaixo de água. E a questão da intimidade durante uns tempos é atirada para o espaço.”

A somar a isto, as novas medidas de higiene e o evitamento do toque, dos beijos e abraços, já que a sua companheira é profissional de saúde e importa manterem-se a salvo de eventuais contágios. Por todos estes desafios, por toda esta luta e constrangimentos diários a salvação está tantas vezes num cálice bem servido de vinho tinto ao fim da tarde e nos desabafos sinceros e sem filtros sobre nada e sobre tudo entre o casal a servir de alívio e escape desta angústia comum a todos nós. E, quando esta situação acabar ou acalmar, Paulo Farinha assume que terá de haver um trabalho de reconexão entre os dois para recuperarem o tempo íntimo perdido. “Já tivemos outras crises na vida e na relação. As coisas constroem-se em cima de outras mas é preciso, por vezes, terraplanar o que ficou em baixo. É preciso criar condições para nova intimidade. E para ter vontade dessa intimidade.”

O segundo testemunho é da Rita Gouveia, de 37 anos, mulher bonita, inteligente e certa do que quer e não quer. Solteira - mas não celibatária - é licenciada em psicologia, investigadora na área da sociologia da família, e aqui fala de como estes tempos lhe têm imposto limites ao desejo e à espontaneidade da sua sexualidade. E refere como passou a ver a aproximação a novos parceiros como um perigo não só para si mas, acima de tudo, para os familiares que a rodeiam. Como é o caso dos seus pais, que quer proteger. “Tive mais resistência a conhecer pessoas novas.” E refere também as mais valias e aborrecimentos que tem experimentado com a aplicação de encontros Tinder, e chega a relatar-nos as peripécias do seu primeiro ‘date’ de máscara, sem abraços ou beijos apesar da vontade de mais envolvimento. “É verdade que, de alguma forma, o risco de nos envolvermos sexualmente, apesar do contexto, também traz a alquimia da impossibilidade, do thrill, que torna as coisas também mais excitantes.” Rita desabafa o quanto lhe custa sentir as suas vontades mais íntimas espartilhadas, reguladas, constrangidas. No entanto, a forma como manifesta o seu desejo não se alterou radicalmente. "Não sinto que passei a fazer mais sexting ou que passei a consumir mais pornografia ou que me masturbo mais.”

No final deste episódio é sugerida a leitura do livro “Foder, do que não falamos quando falamos de sexualidades”, da escritora, tradutora e professora espanhola Bel Olid, editado este ano pela editora Pergaminho. É certo que a obra usa a letra “F” no título da capa o que pode gerar anti corpos, porque saberão os mais atentos que agora os títulos mais asneirentos são os que mais vendem. Mas o livro é honesto e pretende descomplicar o ato e ‘ atacar mitos, preconceitos e vergonhas’ e desconstruir, de facto, muitas ideias falsas que a sociedade insiste em perpetuar sobre a sexualidade. O gancho de arranque é logo convidativo: “A vastíssima maioria das pessoas vive sexualidades condicionadas por expectativas, preconceitos e tabus que implicam que estamos a ouvir uma data de vozes, menos a que mais importa: a voz do nosso próprio corpo, do nosso próprio prazer, e dos desejos e prazeres da(s) pessoa(s) com quem vivemos a sexualidade.”

No próximo domingo haverá novo episódio com novo tema para discutir e novos testemunhos. Até lá se quiser partilhar o seu ponto de vista e testemunho pessoal para um dos próximos episódios - ou tão somente decidir comentar o que viu ou ouviu e lançar sugestões de temas e abordagens - não se acanhe e escreva-nos para mail@muitomaisdoquesexo.pt

Este programa conta com a captação e edição áudio de Marco António e da produtora 366 ideias; a realização e edição de vídeo é da Rita Pinto, do Rui Alves e da Place - Comunicação audiovisual; a direção de arte, desenho gráfico, criação e desenvolvimento do site do programa tem a assinatura da dupla Vasco Colombo e Raquel Porto, os + Dois Designers; a fotografia do logo é do Tiago Miranda; e a música do genérico é uma criação original da cantora e compositora Rita Red Shoes. O apoio à produção deste podcast é da Corine de Farme.

Leia e descubra mais em www.muitomaisdoquesexo.pt