A Beleza das Pequenas Coisas

Jorge Silva Melo: “É legítima a vontade de matar o pai. Alguns atores fizeram isso comigo”

6 dezembro 2019 11:08

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

Entrevista

Jornalista

José Cedovim Pinto

José Cedovim Pinto

Edição áudio

Jornalista Multimédia

Quantas vidas terá vivido nesta vida Jorge Silva Melo? Ele que é encenador, ator, cineasta, dramaturgo, tradutor e crítico português. Se juntarmos as vidas todas dos palcos, do grande ecrã e dos livros, temos vidas suficientes para uma cidade. Ou pelo menos, uma aldeia. Ele que passou a infância na antiga cidade de Silva Porto, em Angola, que se formou realizador na London Film School e, mais tarde, estagiou em Berlim, Milão e foi ator em Paris. Decidiu regressar para o seu país porque para si pátria é culpa e responsabilidade. Fundador do “Teatro da Cornucópia” e dos “Artistas Unidos” é um mestre e mobilizador de artistas, histórias e projetos. Encontramo-lo em ensaios da próxima peça “A Máquina Hamlet”, de Heiner Müller, que estreia dia 15 de janeiro. Um pretexto para falar da “esperança, imensa maldição”

6 dezembro 2019 11:08

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

Entrevista

Jornalista

José Cedovim Pinto

José Cedovim Pinto

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Jornalista Multimédia

Encontrámos o encenador Jorge Silva Melo num final de tarde na sede dos Artistas Unidos, junto à Estrela, em Lisboa. Acabara de dar uma entrevista à revista francesa “Lisboète” que, como o nome denuncia, está focada em assuntos e personalidades da nossa capital. A cidade da moda, modernizada e turistificada em que Jorge não se reconhece. Embora lhe reconheça alguns méritos.

Curioso referir que Jorge, aos 71 anos, gostaria de ser lembrado como alguém que, como os gatos, se passeou, que, como os gatos, andou por aí. “Com gente, procurando gente, pontes e vales.” E que tem em si tanto a nostalgia do passado, como a preocupação com a passagem de testemunho aos mais novos. Ele que é conhecido por falar muito pouco sobre as personagens com os atores. Porque acredita na intuição. Mas está lá sempre para harmonizar e amparar no rigor dos ensaios.

Momentos antes de começarmos esta conversa, Jorge Silva Melo chega a soprar a frase provocadora: “A minha vida tem sido um falhanço completo”. Para depois a justificar: “Naquele sentido em que o futuro antigamente era muito melhor, como dizia o [cómico alemão] Karl Valentin. Mas não aprendi a dançar. E realmente agora penso que se tivesse tido aulas de ‘Twist’ ou de 'Rock n´Roll' em vez de andar a ler Balzac ou Stendhal se calhar teria sido mais feliz”.

Este é um breve aperitivo do muito que pode ouvir neste podcast. Mais uma vez a edição áudio é do José Cedovim Pinto. E a beleza deste genérico é uma criação original do músico Luís Severo. O belíssimo retrato é assinado por Pedro Nunes.

Mantemos o desafio a todos os ouvintes que enviem as suas opiniões, sugestões, histórias e comentários para abelezadaspequenascoisas@impresa.pt

Até para a semana, pratiquem a empatia e boas conversas!

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