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Da Jamaica à liberdade

O que aconteceu, em 2015, na esquadra de Alfragide, mostrou-nos a forma como alguns polícias atuam em alguns bairros e como não devemos confiar cegamente em versões oficiais. A histeria das redes sociais ensinou-nos a não reagir a quente a vídeos virais. Por isso, por cautela, esperei. Agora, posso ficar pelo que é certo. Que a polícia foi chamada ao Bairro da Jamaica por causa de uma rixa. Que, quando chegou, foi apedrejada por um ou mais indivíduos. E que agrediu várias pessoas (incluindo mulheres), não para repelir ou evitar um novo ataque, mas, na melhor das hipóteses, como retaliação. Quanto ao que se passou na Avenida da Liberdade, não sabemos se as balas de borracha antecederam ou sucederam as pedradas. Sabemos que não foram usadas na greve geral de 2012, em que a polícia foi apedrejada durante mais de meia hora, ou quando manifestantes das forças de segurança tentaram subir as escadarias do Parlamento. Que me lembre, nunca foram usadas contra uma manifestação. Foram agora, quando o alvo da crítica dos manifestantes era a PSP. E nunca saberemos mais do que isto, porque o comandante distrital de Setúbal deu a versão policial como encerrada, o que faz do inquérito interno aberto pela PSP uma farsa. E a narrativa será, a partir de agora, construída pelas forças de segurança. Começou com a associação livre de qualquer ato de vandalismo na região de Lisboa aos acontecimentos na Jamaica.

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