Opinião

Não sei se sabes, o que não sei que não sabes

João Silvestre

João Silvestre

Editor de Economia

20 janeiro 2023 0:16

Sem conhecer as respostas ao questionário do Governo e a interpretação que delas for feita, as dúvidas persistem e os problemas também

20 janeiro 2023 0:16

Desaparece a espuma político-mediática e o que sobra do ‘mecanismo’ do Governo para verificar o percurso de putativos ministros e secretários de Estado são só mesmo as 36 perguntas do questionário. Que, dizem vários especialistas, pouco além vão de meras transposições de preceitos legais que se aplicam a quem desempenha funções governativas. O questionário em si pouco ou nada altera o que existia. Porque as respostas são confidenciais. Ganha o primeiro-ministro, que pode ter mais informação: sobre as respostas do questionário, sobre a interpretação que delas faz (eventualmente com interações posteriores sobre os escolhidos), sobre que consequências tirará caso haja omissões ou falsidades e, já agora, como agirá perante pessoas que chumbem no escrutínio. Já a sociedade — e a comunicação social que tem tido um papel fulcral em muitos destes casos — ficará a saber praticamente o mesmo. Apenas terá conhecimento de que há um questionário a que os governantes responderam com suficiente sucesso para serem validados pelo primeiro-ministro. E, presumo, que se aplique aos atuais governantes. Caso contrário seria demasiado bizarro: uma solução de futuro para um problema presente.