Opinião

É tempo de dar oportunidade aos jovens

Carla Mouro

Carla Mouro

Presidente Executiva da Fundação da Juventude

6 janeiro 2023 15:26

Mais do que nunca, é fundamental que os jovens – o presente e futuro do país – estejam no centro da decisão política e na estratégia do tecido empresarial

6 janeiro 2023 15:26

Será 2023 o ano dos jovens? Será certamente o ano de, mais do que nunca, os jovens estarem no centro das decisões. E, mais do que isso, serem parte ativa desse processo.

Certamente que 2023 será um ano de novos e mais desafios. As previsões mostram-nos um abrandamento na economia e o consecutivo impacto da inflação. E não é novidade nenhuma: está a (e vai) afetar a vida de todos, a todos os níveis, pessoal e profissional. Neste contexto global de incerteza, os jovens, sobretudo os mais vulneráveis serão, certamente, um dos grupos mais afetados.

Faz parte dos discursos habituais pensar nos jovens como o “futuro do país”, principalmente num contexto onde a população envelhece a cada ano que passa. Estamos conscientes, e acredito que os jovens são, já, o presente. São em 2022 e são (serão) em 2023.

Recentemente, vários estudos mostraram-nos que os jovens em Portugal enfrentam, hoje, vários desafios quando comparados com a juventude na Europa.

Em primeiro lugar, são da geração mais qualificada, são dos que dependem mais financeiramente dos pais e, por isso, saem mais tarde de casa, são dos que mais descontentes estão com a sua condição financeira, são dos que apresentam maior taxa de abstenção e dos que, nesse grupo, têm uma maior fatia de jovens NEET, que não estudam, não trabalham, nem estão em formação (para integrar o mercado de trabalho ou retomar os estudos).

Em segundo lugar, esta é, sem dúvida, uma geração ativa e participativa. Ao contrário do que se pensa ou diz sobre o “alheamento” dos jovens face aos problemas comunitários, sociais ou políticos, a verdade é que os estudos mais recentes também nos mostram que os jovens, apesar de terem uma atitude cívica e pensamento crítico muito ativos, não se revêm, ao mesmo tempo, nas habituais formas de participação.

É neste cenário que entramos em 2023. Acresce, naturalmente, o contexto económico que se adivinha para o próximo ano. Não há dúvidas de que os jovens serão – como têm sido– um dos grupos mais afetados. A memória recente mostra-nos que, face a este panorama e à falta de qualidade do emprego jovem, são eles, os jovens, os mais impactados, seja por condições precárias, seja pelo desemprego.

E, infelizmente, não fica por aí. Mais do que nunca (e finalmente), falamos da saúde mental e do impacto na sociedade. São também os jovens, mais preocupados e inseguros, que estão no grupo mais afetado. As preocupações sobre o futuro, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, a instabilidade e dificuldades financeiras estão na base deste problema.

E o “futuro do país” como fica? Mais do que nunca, é fundamental que os jovens – o presente e futuro do país – estejam no centro da decisão política e na estratégia do tecido empresarial.

E os jovens sabem disso. Os jovens têm o poder de determinar como será o futuro. As novas formas de trabalhar, de estar, de socializar ou viver implicam mudanças por parte de empresas, decisores políticos e da própria sociedade civil. Esta geração, que descrevia acima, sabe também o que quer. Sabe que ideias defende, os empregos que os concretizam, e como a participação cívica e ativa é fundamental, a todos os níveis. E sabe, principalmente, que quer ser ouvida e valorizada por isso.

Será 2023 o ano de todos estes agentes se unirem para trabalhar no presente e futuro?