Opinião

A administração da TAP tem condições para prosseguir o mandato?

6 janeiro 2023 0:54

Bernardo Trindade e Eugénio Fernandes

Se a situação da empresa já não era fácil, a polémica da indemnização milionária paga a Alexandra Reis só veio acicatar mais os ânimos, dentro e fora da instituição

6 janeiro 2023 0:54

Bernardo Trindade e Eugénio Fernandes

SIM Em abstrato, pedir a um dirigente associativo do turismo que se pronuncie sobre a viabilidade de uma administração, sendo essa administração responsável por uma companhia que traz, em ligação direta ou fazendo escala noutro aeroporto, mais de 30% do seu número de turistas clientes para o país, convoca-nos responsavelmente a revisitar os contributos que essa companhia trouxe e traz ao país ao longo dos seus 77 anos de história nos domínios económico, social e político.

No ano de 2019, ano anterior à pandemia, o contributo da TAP como grande empresa nacional cifrou-se em €2600 milhões de exportações, 10 mil pessoas empregadas em todo o seu perímetro, €1200 milhões de compras a mais de 1300 fornecedores. Do ponto de vista de receita fiscal, o contributo foi de €950 milhões: entre impostos e contribuições para a Segurança Social, IVA sobre o consumo dos colaboradores e IVA sobre o consumo de turistas não-residentes. Do ponto de vista político, recordar ainda a importância da TAP para a nossa diáspora e para as regiões autónomas. Qualquer português espalhado pelo mundo sabe do que falo. Sendo madeirense, lembro-me bem que durante a pandemia quando todas as companhias aéreas saíram da Madeira, foi a TAP em exclusivo que assegurou o transporte ao continente dos portugueses da Madeira. Como imaginam, transportando com gigantesco prejuízo meia dúzia de passageiros por voo. Foi a responsabilidade política que impôs esta solidariedade...