Opinião

O país empobrece, e o problema é o PS

2 janeiro 2023 8:25

O problema não era o Vara. O problema não era o Pinho. O problema não era o Lino. O problema não era o Mendonça. O problema não era o Campos. O problema não era o Pina. O problema não era, sequer, o Sócrates. O problema não era o Azeredo. O problema não era a Constança. O problema não era o Neves. O problema não era o Cabrita. O problema não era a Temido. O problema não era o Alves. O problema não eram os incompatíveis. O problema não é a Alexandra. O problema não é o Pedro Nuno. O problema não é o Medina. O problema não é, sequer, o Costa

2 janeiro 2023 8:25

Não se iludam. Não se iludam com os "casos e casinhos", para utilizar a expressão zombeteira com que o sr. primeiro-ministro quis diminuir o somatório de coisas graves, vergonhosas e não poucas vezes ilegais, que assolam a governação do país. Ou, se quiserem outro nome de baptismo e outra fonte de inspiração, "trapalhadas", como Jorge Sampaio teria preferido.

Não se iludam, porque ilusão é, neste caso, sinónimo de embarque no embuste. Porque enquanto discutimos, pasmados ou confirmados, cada caso isoladamente antes do próximo, perdemos de vista o problema real.

E o problema não era o Vara. O problema não era o Pinho. O problema não era o Lino. O problema não era o Mendonça. O problema não era o Campos. O problema não era o Pina. O problema não era, sequer, o Sócrates. O problema não era o Azeredo. O problema não era a Constança. O problema não era o Neves. O problema não era o Cabrita. O problema não era a Temido. O problema não era o Alves. O problema não eram os incompatíveis. O problema não é a Alexandra. O problema não é o Pedro Nuno. O problema não é o Medina. O problema não é, sequer, o Costa.

O problema é o PS, e este problema expressa-se de várias formas. Das mais graves, como a cultura de abuso de poder, o sentimento de impunidade e a desresponsabilização política, às mais agudas, como a falta objectiva de condições elementares para o exercício de altos cargos no Estado, a incapacidade de apresentarem uma visão para o país e o desinteresse em trabalharem para o bem comum. Entre uns e outros, os socialistas têm saltitado numa dança tribal ao som de uma charanga com um reportório de dois temas apenas, um reportório tão curto quanto a sua visão para o país: o do A Culpa É Do Passos e o do A Culpa Nunca É Do PS. E vira o disco e toca o mesmo.

O país empobrece.

Empobrece economicamente, com os salários dos mais baixos e a carga fiscal sobre o trabalho mais elevada da Europa Ocidental; com um dos sistemas fiscais menos competitivo da OCDE; ultrapassado pela Roménia no PIB per capita; com um SNS colapsado, onde às longas esperas por primeiras consultas de especialidade e por intervenções cirúrgicas, se juntaram urgências fechadas; com uma Educação sem futuro e sem esperança; com o aumento do número de pobres; com a aflição dos mais vulneráveis, beneficiários de esmolas de 240 euros dadas pelos indemnizados com 500.000.

Empobrece política e democraticamente, com uma Justiça tão lenta que se fez oxímoro, lesivo do investimento e do combate à corrupção; com a regressão nos índices das democracias; com a erosão da separação de poderes; com a asfixia do Estado às mãos de um partido só e às suas lógicas clientelistas.

Empobrece moralmente, com a desqualificação dos adversários por parte dos mais altos dignatários do poder político; com a conivência tendenciosa de parte da comunicação social; com a diminuição da qualidade do debate parlamentar; com a inconsequência visível das prevaricações dos do poder.

E pergunta o estimado leitor: o que é que isto tem a ver com o PS? O PS governou 21 anos nos últimos 28. Se isto não é, não uma marca de água, mas uma nódoa de gordura na vida política do país, não sei que lhe responda. Mas sei o que lhe deseje para 2023: que a sua lucidez seja actualizada, pelo menos, à taxa da inflação.

Sem desígnio, sem esperança e sem saída aparente, o país, vítima de um trágico síndrome de Estocolmo, parece não reagir. E se o problema não é cada um dos figurões anteriormente citados, hoje, o rosto desse problema é o do seu chefe: António Costa. Votaram neles? Aguentem. Não votaram? Habituem-se. Ou não. Feliz ano novo!

O novo ano socialista: Pedro Nuno Santos, o rosto do desastre da TAP, que custou milhares de milhões de euros aos contribuintes portugueses, e a voz da irresponsabilidade com que queria incumprir as obrigações do Estado e pôr as pernas dos banqueiros alemães a tremer, é o novo Encoberto do aparelho socialista. O salvador. O messias marxista. O "mais bonito" dos socialistas. Bastaram umas horas para a seita pedronunista se entrincheirar numa luta fratricida que vai valer a pena acompanhar. É o PS aliado do PCP e do Bloco, o PS da irresponsabilidade orçamental e política, o PS dos amanhãs que cantam, que o país provavelmente vai ter daqui a pouco tempo como opção. No Largo do Rato, 2023 vai ser um ano de facas longas. No país, o ano continuará a ser de vacas magras.

Pedro Gomes Sanches escreve de acordo com a antiga ortografia