Opinião

A gozar com o pagode

30 dezembro 2022 0:16

A nenhuma empresa privada que tivesse o monopólio que a CP tem seria tolerado o miserável serviço que ela presta e a permanente chantagem a que os seus sindicatos sujeitam os candidatos a passageiros

30 dezembro 2022 0:16

A CP esteve em greve a 23, 25 e 26 de Dezembro, uma greve cirurgicamente marcada para impedir que todos aqueles que queriam viajar de comboio na época do Natal (e muitos seriam) o não pudessem fazer. Com o mau tempo que varreu o país inteiro nesses dias, não é ficção dizer que alguns dos que morreram na estrada poderiam não ter morrido se, em lugar de viajarem de carro, pudessem ter viajado de comboio. Mas justamente por saberem que é maior a procura nesta época ou quando há feriados é que os inúmeros sindicatos da CP já têm nova greve marcada para 1 de Janeiro e neste ano de 2022 tiverem greves em 22 e 24 de Junho, 10, 12, 13 e 16 de Julho, 15 de Agosto, 15 e 30 de Setembro, 5 de Outubro e 30 de Novembro — sempre em cima de feriados, com o duplo objectivo de causarem o maior dano possível aos utentes e o maior prejuí­zo financeiro à empresa. Desta vez a causa invocada para a greve foi “o fim da discriminação entre trabalhadores” (seja isso o que for) e a obtenção de um “prémio” para compensar a inflação (quem o não quereria?).