Opinião

2023, o ano do banqueiro central

João Silvestre

João Silvestre

Editor de Economia

30 dezembro 2022 0:22

A batalha da inflação está longe do fim. É agora, quando os juros já vão altos e a economia dá sinais de alarme, que os bancos centrais serão postos à prova. Estarão à altura?

30 dezembro 2022 0:22

Não foi assim há tanto tempo que os bancos centrais andavam preocupados com taxas de inflação demasiado baixas. O Banco Central Europeu (BCE) fez uma revisão de estratégia, que terminou em 2021, precisamente com esta preocupação subjacente. A ideia era, aliás, permitir ter políticas monetárias acomodatícias — que estimulam a economia — mesmo quando a inflação já estivesse acima da meta de 2%. Percebe-se perfeitamente: desde 2013, quando a zona euro ainda se tentava reerguer da recaída na recessão, apenas por oito vezes a taxa homóloga mensal ultrapassou o alvo e foram muitas mais as ocasiões em que esteve negativa. Muito longe, portanto, do conceito de estabilidade de preços pretendido, embora estes desvios para baixo, já se sabe, sejam sempre encarados com maior tranquilidade pelas pessoas. Taxas de inflação de 0% não deixam os cabelos em pé na hora de pagar as contas do supermercado. Tem outros problemas e riscos, mas a perceção é completamente diferente. Quis o acaso que tenha sido precisamente em julho do ano passado, quando o BCE anunciava a conclusão da sua revisão de estratégia, que a inflação passasse a ‘barreira do som’ dos 2%. E não mais pararia.