Opinião

Dua Lipa: a artista que dá a voz para fins humanitários

Dua Lipa: a artista que dá a voz para fins humanitários

Luís Correia

Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Wroclaw, Polónia

Dua Lipa, cantora e artista de classe mundial e única na sua geração, tem-se destacado como uma ativista humanitária consciente, com um impacto internacional inigualável e verdadeiramente inestimável. Para além do grande exemplo que tem sido mundialmente, marcando pela diferença com o apoio a inúmeras causas e lutando contra injustiça, Dua eleva a fasquia e demonstra que fama e dinheiro podem ser utilizados para fins humanitários

A artista britânica, nascida em Londres em 1995 e filha de pais albaneses do Kosovo, tem ao longo dos anos subido no ranking humanitário, ultrapassando certamente o seu talento natural para a música.

Independentemente de onde se vem ou daquilo que se tem, Dua tem demonstrado a sua humildade através de gestos nobres, não só perante a sua comunidade, mas perante a comunidade internacional.

Criou, em 2016, a Sunny Hill Foundation, uma organização de caridade na cidade de Pristina, no Kosovo. A fundação tem diversos objetivos que quer alcançar rápida e eficazmente:

  • apoiar as pessoas mais vulneráveis da comunidade
  • combater a pobreza e as injustiças sociais
  • fortalecer os valores democráticos
  • promover a cooperação internacional
  • promover a realização humana
  • lutar pela inclusão juvenil
  • lutar pela justiça de género, racial e étnica
  • apoiar a liberdade de expressão

O trabalho humanitário que tem sido feito, a dedicação que Dua tem dado à comunidade kosovar (e não só) tem sido inspirador, especialmente para uma artista de topo mundial.

Por toda a sua contribuição humanitária, a Presidente do Kosovo, Vjosa Osmani, decidiu homenagear Dua Lipa, que é agora Embaixadora Honorária do Kosovo.

Apesar de as suas músicas não terem ligações nem opiniões políticas, a estrela pop utilizou o seu status para dar voz a diversas injustiças sociais ao redor do mundo. Desde o famoso “Black Lives Matter” até à luta pelos direitos das mulheres no Irão, Dua Lipa persiste na defesa daqueles por quem poucos dão a cara.

“Black Lives Matter”

As vozes mundiais uniram-se em 2020, na sequência da morte de George Floyd às mãos da polícia de Minneapolis, nos Estados Unidos, e o “Black Lives Matter” ganhou ainda mais destaque no espaço mediático.

O movimento político e social, que começou em 2013, procura destacar a luta contra o racismo, a discriminação e a desigualdade racial vivenciada pelos negros. A brutalidade policial e a violência racial são uma preocupação constante, o que levou a que várias estrelas se unissem para apoiar a comunidade, incluindo Dua Lipa.

O apoio aos palestinianos e o orgulho de Sanders

Dua Lipa não se ficou por aqui: a superestrela humanitária continuou o seu percurso, expressando o seu apoio aos palestinianos que sofriam (e ainda hoje sofrem) em Gaza e no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, quando o conflito irrompeu em ambas as áreas.

Todo este ‘engajamento’ político por parte da artista britânica chamou a atenção do senador norte-americano Bernie Sanders, que aproveitou o status de Dua para a integrar na sua campanha presidencial democrata em 2020.

Mais um exemplo de como defender os padrões internacionais de direitos humanos de forma consistente, mesmo sendo politicamente difícil, faz de Dua uma líder mundial.

Uma luta pelo povo iraniano

Já em 2022, foi o Irão que acabou debaixo de fogo, onde uma onda de protestos eclodiu após a morte de Mahsa Amini, uma mulher curda iraniana detida pela “polícia moral” na capital, Teerão, por supostamente utilizar o seu hijab de forma incorreta.

Amini acabou por morrer, vítima de supostos abusos por parte das autoridades iranianas. A sua morte acabou por ser um catalisador, com milhares de homens e mulheres nas ruas iranianas, inflexíveis na luta por uma causa comum: justiça.

Dua Lipa não ficou indiferente e, mais uma vez, ergueu-se e demonstrou o seu apoio aos direitos das mulheres no Irão: “as imagens de mulheres em protestos nas ruas, a cortar os seus cabelos e a queimar os seus hijabs é uma das coisas mais poderosas e inspiradores que já vi em muitos anos. Para todos os ouvintes no Irão ou do Irão, nós vos ouvimos e nos solidarizamos convosco”. A artista pop apelou, assim, à luta pelas liberdades e pelos direitos.

A nega ao Catar

O ano de 2022 encerra com mais um episódio de luta contra regimes opressivos. O Catar levou uma nega por parte de Dua Lipa, defensora dos direitos humanos.

A cantora britânica recusou brilhar nos palcos do Mundial de Futebol de 2022, lamentando que em pleno século XXI ainda haja países onde os direitos humanos não sejam respeitados.

A controvérsia cercou o (muito provavelmente) torneio mais importante do planeta a nível desportivo, com o tratamento do Catar aos trabalhadores migrantes e a criminalização das relações entre pessoas do mesmo género sob os holofotes internacionais. A injustiça perante a comunidade LGBTQ+ no Catar, a falta de direito das mulheres e os milhares de mortes durante a construção dos estádios no Catar foram o foco da recusa de Dua Lipa.

O orgulho pela cidadania albanesa

Mais recentemente, Dua revelou o orgulho pela sua identidade albanesa, posicionando-se na frente da batalha pela situação dos refugiados e pela situação vivida tanto na Albânia como no Kosovo, com o objetivo de fazer passar uma mensagem de teor humanitário, intrometendo-se numa luta política onde os interesses pessoais falam sempre mais alto. Para Dua, o importante é dar a conhecer a realidade e lutar por uma justiça social e pela realização humana.

Na era das redes sociais, Dua Lipa vai mais longe e usa-as para ser a voz de quem não a têm, para dar a cara pelos que têm medo.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: clubeexpresso@expresso.impresa.pt

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