Opinião

Quando milhões de borboletas batem asas na China

2 dezembro 2022 3:09

É natural que um país que concentra metade das câmaras de videovigilância e tem um milhão de funcionários a censurar as redes assuma a sua natureza totalitária perante uma crise sanitária. Mas não foi com a pandemia que Xi Jinping começou a apertar o cerco aos chineses

2 dezembro 2022 3:09

Perante a pandemia, extremaram-se duas posições: a produtivista e a sanitária. A recusa em salvar vidas, porque a economia não podia parar, olhou para os cidadãos como meros agentes económicos. Foi prevalecente em sociedades com pouca proteção social, onde pôr as pessoas em casa era matá-las de fome. A recusa em preservar mínimos de liberdade, porque a pandemia tinha de ser travada, olhou para os cidadãos como meros agentes de propagação de vírus. Prevaleceu na China, por exemplo. Não é por acaso que as democracias mais maduras (que casam liberdade individual com proteção social) conseguiram lidar de forma mais equilibrada com a pandemia. Estando sujeitas a pressões contraditórias de cidadãos livres para contestarem decisões do Estado e para ficarem em casa sem cair na miséria, conseguiram, em geral, ponderar liberdade e segurança, economia e saúde.