Opinião

Perdidos por oito e perdidos por oitenta

2 dezembro 2022 3:47

O fantasma da inflação salarial tem sido agitado ad nauseam pelos governadores dos bancos centrais. Pouco se importam com o facto de os salários e pensões serem ajustados em menos de metade da inflação

2 dezembro 2022 3:47

O Banco Central Europeu é, mais do que a Comissão, o governo da zona europeia (e não só do euro). O seu poder tem três pilares: o que está nos tratados, o que não está nos tratados e o que adiante se dirá. O que está nos tratados é a sua vinculação a uma política de restrição anti-inflacionista, que foi aplicada com rara exceção mesmo quando não havia inflação, amparando as autoridades de Bruxelas na vigilância e punição dos infratores (exceto quando fossem a Alemanha e a França a ultrapassar os limites; talvez ainda haja quem se lembre que só por um voto de diferença na Comissão é que Portugal não foi o primeiro e único país a ser sancionado por um desvio de 0,3% no défice). Pensar que uma grande zona económica pode (ou deve) viver sob a restrição de inflação sempre abaixo de 2% é uma aberração que não tem nem suporte histórico nem lógica teórica, muito menos prática, e cuja única justificação substancial é o favorecimento do sector financeiro, de há algumas décadas hegemónico no pensamento e na ação das instituições e dos Governos.