Opinião

A subida dos juros é mesmo para doer

João Silvestre

João Silvestre

Editor de Economia

2 dezembro 2022 2:40

Pagar mais pelos créditos e ter menos para gastar é o objetivo do BCE quando sobe juros. Os governos não travam o inevitável e até podem atrapalhar

2 dezembro 2022 2:40

Não é preciso dominar economia financeira para perceber o óbvio. Sente-se no bolso. As taxas de juro têm subido a um ritmo como nunca se viu. Nem na crise financeira internacional, quando, apesar de terem ido mais longe, a escalada foi mais gradual. O impacto nas prestações do crédito à habitação é brutal. Pior ainda, em rendimentos que, na maioria (ver página 24), não acompanham sequer a inflação. Não nos deixemos levar por indicadores macroeconómicos mais ou menos enganadores. Como o PIB que vai crescer mais de 6% este ano ou a taxa de desemprego que está em 6,1% (dados de outubro do INE). Tudo isto é relevante mas esconde o indisfarçável: a situação das famílias agravou-se drasticamente e os relatos que chegam de instituições como o Banco Alimentar ou a Cáritas estão aí para o confirmar. Muitas pessoas viveram na ilusão — com maior ou menor complacência dos bancos — de que os juros ‘zero’ eram um novo normal.