Opinião

Mundial da vergonha

18 novembro 2022 2:30

As bancadas onde os adeptos se sentam e os campos onde as equipas jogam estão construídos sobre 6500 cadáveres. Cada golo esperado corresponderá a 39 escravos mortos. Seria um orgulho se a seleção que nunca me representará naquele campo de morte ali não estivesse

18 novembro 2022 2:30

O antigo árbitro sir Stanley Rous era um conservador e acreditava no amadorismo. Apesar de ter transformado o campeonato de futebol num dos maiores eventos desportivos mundiais, foi derrotado por João Havelange, graças à sua oposição à suspensão da África do Sul e à qualificação direta para nações africanas. A chegada de Havelange a presidente da FIFA, em 1974, marca uma nova era para o futebol mundial, com os primeiros patrocínios milionários. E com uma relação íntima com a Adidas, que garantiu comissões muito interessantes ao presidente da FIFA. Se o desporto é uma simulação lúdica da vida, a derrota de Rous foi a substituição de uma aristocracia colonial racista e eurocêntrica por um capitalismo corrupto global e aberto ao terceiro mundo. Havelange tinha um discreto e ambicioso ajudante, Sepp Blatter, que fez um percurso rastejante até ao topo, esperando pelo momento certo para matar o senhor que serviu e usando a compra de votos para vencer Lennart Johansson, em 1998. Com Blatter, a corrupção endémica deixou de ser consequência da degeneração moral que o dinheiro sempre traz para fazer parte da identidade da FIFA.