Opinião

Concorda com o plano de resposta à crise apresentado pelo Governo ?

Pedro Brinca e Ana Cordeiro Santos

9 setembro 2022 0:12

As medidas anticrise apresentadas por António Costa dominaram a semana, e dividiram claramente opiniões. O Expresso perguntou a dois professores - os mesmos que já se tinham pronunciado sobre o plano do PSD - o que acham destas medidas e de que forma respondem ou não às necessidades do país

9 setembro 2022 0:12

SIM Vivemos tempos especiais quando somos a economia da Europa que mais irá crescer em 2022 e mesmo assim estamos a braços com uma crise social. Mas são estes os tempos que uma crise energética e elevada inflação nos trazem. No seu objetivo de a travar, o Banco Central Europeu levou a cabo um aumento de 75 pontos-base nas taxas de juro diretoras, o maior aumento de sempre desde a sua criação. Com a subida da inflação de 8,9% em julho para 9,1% em agosto e o aumento das taxas diretoras do Fed Board em 75 pontos umas semanas antes, não havia grande alternativa. Até porque é importante travar a depreciação do euro que atingiu o seu valor mais baixo face ao dólar desde 2002, para evitar inflação importada, principalmente através dos custos do petróleo que é cotado em dólares nos mercados internacionais.

A crise energética será um dos, ou até o principal fator, detrás deste surto inflacionista. A importância relativa dos preços do gás natural, dos défices públicos em pandemia ou até das expectativas de inflação futura, na origem da elevada inflação atual ditará o acerto de uma política mais ou menos agressiva de subida das taxas de juro para conter a inflação. Mas uma coisa é segura: neste momento a disponibilidade de famílias, empresas e governos para comprar bens e serviços é superior à capacidade da economia para os produzir e é por isso que temos inflação.