Opinião

O plano para os tolos – por António Costa

Luís Correia

Luís Correia

Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Wroclaw, Polónia

6 setembro 2022 17:42

É sabido que o custo de vida em Portugal cada vez é maior. Cada vez é mais difícil para quem cá vive suportar os aumentos que se fazem sentir semana após semana, mês após mês, ano após ano...comprar carne ou peixe, meter combustível ou simplesmente ir jantar fora é cada vez mais um luxo a que nem todos se podem dar

6 setembro 2022 17:42

Desde 2019 que os anos se têm tornado difíceis, não só para quem vive em Portugal, mas para a maioria dos países da Europa e do resto do mundo. A pandemia veio transformar as sociedades e a forma como elas vivem. As populações conseguiram lutar e ultrapassar essa fase difícil, mas quando menos se esperava, apareceu a guerra na Ucrânia que fez disparar os preços de tudo: alimentação, eletricidade, gás, combustível, inflação...e o Governo pouco ou nada fez de positivo para apoiar a população.

As críticas ao Governo liderado por António Costa têm subido de tom, especialmente pelo estado em que o país se encontra: um sistema nacional de saúde completamente do avesso, um sistema de educação pouco recomendável, ministros no meio de polémicas (e não das pequenas) que se recusam a demitir e que Costa não tem coragem para o fazer, falta de condições para grande parte da população viver, negócios a fecharem, pessoas a morrerem por não haver condições nos hospitais, pessoas que perdem tudo o que ganharam na vida por causa dos incêndios causados por criminosos que vieram cá para fora depois de terem cometido o mesmo crime...bem, isto tudo junto numa bimby dá socialismo ao mais alto nível.

Pois bem, depois dos países europeus terem sentido nos ombros o peso da inflação e o aumento do custo de vida, alguns países decidiram tomar medidas e apoiar as populações.

Portugal não podia ficar de fora, mas também para o que o Costa decidiu fazer...humilhando o povo português depois de este lhe ter dado maioria absoluta.

Com a dificuldade que o país atravessa e com a pressão por parte da comunicação social e dos partidos da oposição, o Governo decidiu-se por um Conselho de Ministros extraordinário para lançar o pacote de medidas de apoio às famílias e aos pensionistas. Não que fosse de esperar outra coisa, mas Costa continua com os seus malabarismos e com as suas manobras manipulativas e populistas para ver se os tolos continuam a ser tolos.

A iliteracia por parte da população é preocupante, especialmente quando falamos em termos económicos, e o Costa aproveita-se para seguir caminho.

As medidas aprovadas (por maioria socialista) não passam de uma ilusão e de truques envenenados, especialmente para quem tem pouco ou nada. Dar 125€ no mês de outubro a quem ganha pouco mais de 700€ mensalmente é sem dúvida um ajuda extraordinária. Pensando bem o que se faz com 125€ hoje em dia...sem dúvida que é uma grande ajuda, especialmente para quem não quiser passar fome.

Para quem ganha 2.700€, o Estado fica com 1.000€. Para quem ganha 1.500€, o Estado fica com 500€...há aqui um certo grau de discrepância e de falta de coerência por parte do Governo socialista. 125€ devia ser um acréscimo a quem ganha pouco, não uma esmola para um mês que nada vai mudar nas famílias portuguesas. As famílias não combatem a subida de preços nem a inflação com 125€ num mês.

Para quem ganha 2.700€, não tirem 1.000€, tirem só 775€ (e mesmo assim...), deixem as pessoas ficar com mais 125€. Para quem ganha 1.500€, não tirem 500€, tirem só 375€, deixem as pessoas ficar com mais 125€. Para quem ganha pouco mais de 700€, aumentem os salários, reduzam a carga fiscal sobre as empresas para que estas possam pagar mais, reduzam os impostos de quem cá trabalha e de quem tem filhos...isso sim seriam medidas dignas e de um grande Homem, de um grande governante. Não é dar migalhas. Não é dar aumentos de 3% e metade é para os bolsos do Estado, quando a inflação é de 9%.

O povo português não precisa de esmolas nem de caridade. O que o povo precisa é que se baixem os impostos. O que o povo precisa é que o Estado deixe de “roubar” todos os meses grande parte dos seus ordenados para encher os bolsos dos amigos. O que o povo precisa é que a carga fiscal seja reduzida, que deixem de se pagar taxas e taxinhas que não existem em mais país nenhum da Europa, que deixem de se pagar autoestradas e portagens em tudo o que é lado. O que o povo precisa é que aquilo que se desconta seja bem aplicado. Os portugueses querem ter direito à saúde e à educação, à habitação. Os portugueses trabalham honestamente e querem viver num país que lhes dê os direitos que eles merecem. Se nem a saúde funciona num país e a educação funciona mal, os restantes pilares da sociedade não se aguentam.

O povo precisa de mais, o povo quer mais, o povo merece mais. Não precisamos de esmolas nem de caridade, precisamos é de políticos com eles no sítio para tomarem medidas realmente extraordinárias de apoio às famílias e aos pensionistas.

O que o Governo de Costa faz é tirar muito com uma mão e dar pouco com a outra. O que o Governo de Costa faz é atirar areia para os olhos do povo, fazendo-os acreditar que os milagres socialistas existem.

Os pensionistas também não precisam de caridade. Os pensionistas precisam é de aumentos nas suas pensões. Os pensionistas precisam é que ano após ano não lhes seja cortada a pensão a que têm direito por terem descontado durante anos e anos e agora os Governos decidam “roubar” o que é deles por direito.

Toda esta fantochada e todo este teatro não passa de ilusionismo económico, especialmente quando todos se aperceberem que recebem 50 e pagam 200.

Eu sempre ouvi dizer que “não há almoços grátis” e quanto mais depressa o povo se aperceber que os Governos não dão nada a ninguém, mais depressa os Governos caem, e mais depressa os Governos se apercebem de que o povo não deve temer os Governos, mas os Governos devem temer o povo. Infelizmente, é difícil libertar os tolos das correntes que eles veneram.

Costa quer, pode e manda...e os tolos aceitam.