Opinião

Não, não “temos de viver com o que temos”

19 agosto 2022 0:17

Não, senhor primeiro-ministro, não “temos de viver com o que temos”, como defende. Porque com o que temos... morremos

19 agosto 2022 0:17

Não, senhor primeiro-ministro, não “temos de viver com o que temos”, como o senhor defende. Porque o que temos é mau. Essa resignação que agora vende é resultado (também) do seu trabalho. Não só nos últimos seis anos mas em todos os outros em que foi sucessivamente secretário de Estado ou ministro de vários governos. Temos é de viver com um Estado capaz e eficiente em proteger os seus. Não é aceitável que, por falta de meios, incúria e incompetência, se permita que o fogo consuma o Parque Natural da Serra da Estrela, a maior área protegida portuguesa. Entre os crimes nacionais contra a Natureza, este rebenta todas as escalas. Desde o dia 6 de agosto, a área ardida é superior a 25 mil hectares, o que equivale a cerca de 30% do Parque Natural. O fumo e as cinzas cobrem parte da Península Ibérica, e há relatos de que o que resta da serra da Estrela chegou a Madrid, a quase 300 quilómetros de distância. Numa zona montanhosa por vezes há pouco mais a fazer do que deixar arder. Mas dias e dias de fogo combatido por pouco mais de 1200 operacionais não faz sentido. Como os incêndios não dormem ou descansam, fica evidente que, para uma frente de incêndio que abrange quilómetros, estamos a falar de uma desproporção de meios que apenas garante que o fogo ganha. Basta fazer uma pequena conta. Vamos imaginar que um operacional consegue estar oito horas seguidas a combater o fogo com todas as suas forças a 100%, o que me parece um exagero. Neste caso e em cada momento teríamos o máximo de 400 pessoas a lutar contra aquele monstro. É claro que o Estado falhou no combate a este incêndio, é evidente que devia ter pedido ajuda internacional e é óbvio que alguém (quem toma decisões) foi claramente incompetente.