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Opinião

Na distribuição dos milhões, as eleições são biombo de sala

Na distribuição dos milhões, as eleições são biombo de sala

Francisco Louçã

Economista, Professor Catedrático

O Governo promove uma deriva plebiscitária, esvazia a característica local da eleição autárquica e reforça a transformação do PS em partido-regime

Um terço das verbas do PRR está contratualizado, disse o primeiro-ministro há duas semanas. São cinco mil milhões de euros. Mas contratualizado com quem, para fazer que programas, com que prazos e metas, sujeito a que processos de verificação, isso já é perguntar demais. No entanto, um vislumbre da resposta tem sido servido do alto dos púlpitos comicieiros do partido do Governo, será uma maternidade aqui, uma variante ali, uma ponte, vá-se lá saber o que ainda vem nos últimos dias. E o entusiasmo milionário tem contaminado os candidatos que se apresentam como portadores das boas-novas e, sobretudo, como confidentes dos decisores, mesmo ao preço de reduzirem as suas próprias campanhas eleitorais aos contratos desta chuva dos fundos, acerca dos quais não tiveram uma palavra a dizer. Aqui chegados, temos o exemplo notável de um candidato na Madeira que, ao lado do seu apoiante António Costa, protesta contra o facto de o governo regional, que é de outro partido, fazer campanha com essas verbas e nem lhe dar informação sobre o modo do uso dos dinheiros, como o mundo é injusto.

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