Opinião

Se é para fechar as escolas, que seja decentemente

20 janeiro 2021 9:44

Deixou de existir consenso social e político para manter as escolas abertas. E não será por 15 dias. Para a maioria dos alunos, sobretudo nos ciclos mais baixos, o ensino à distância é um remendo que só funciona com empenho dos pais. Para os miúdos com menos condições culturais e económicas, é quase uma irrelevância. Para minorar o efeito do encerramento, devem estudar-se as medidas já propostas em Conselho de Ministros: turnos rotativos, soluções mistas entre presencial e à distância e prioridade presencial para alunos mais vulneráveis. Assim como antecipar as férias da Páscoa e prolongar o ano letivo

20 janeiro 2021 9:44

Não temos dados que permitam responsabilizar a escola por qualquer coisa que tenha a ver com os números trágicos de infetados e óbitos. Fazendo as contas aos números apresentados ontem pelo primeiro-ministro, teremos cerca de 3% dos alunos do país em isolamento e uma taxa de infeção nas escolas que rondará os 0,5%. No entanto, parecem ter deixado de existir as condições necessárias para manter as escolas abertas. Refiro-me às condições sociais e políticas. Os pais estão crescentemente alarmados, as estruturas representativas dos professores tomaram posição pública pelo encerramento e o tema deixou de corresponder a um consenso nacional, como era na muito volúvel opinião política e mediática ainda há poucos dias. Passou a ser tema de confronto político. Marcelo já deu sinais de ter levantado o dedo, sentido para onde sopra o vento e sobra pouco espaço ao Governo. Nestas condições, não sei se teriam a serenidade suficiente para funcionar. O encerramento é inevitável.