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Expresso

Cristina Peres Jornalista de Internacional

Onde há vida, a morte é inevitável

20 de fevereiro de 2020

É hoje que a Assembleia da República vai debater e votar os cinco projetos de lei para a despenalização da morte assistida - do BE, PS, PAN; PEV e Iniciativa Liberal. Todos os diplomas preveem que a morte medicamente assistida só possa ser pedida, através de um médico, por pessoas maiores de 18 anos que não sofram de doenças mentais e que estejam em situação de sofrimento e com doença incurável. A despenalização é proposta também para quem pratica a morte assistida, nas condições da lei, ficando garantida a objeção de consciência para médicos e enfermeiros.

Leia aqui em detalhe as cinco propostas a votação: quem pode pedir, como pedir, em que prazo, onde pode acontecer, quem pode executar.

A aprovação esta tarde da despenalização da eutanásia, na generalidade, é tida como quase certa. Com o empurrão que leva da esquerda, menos o PCP, e com a confusão instalada na bancada social-democrata, é provável que o debate acabe por se desviar para a questão do referendo. O verniz estalou ontem na bancada social-democrata depois de um grupo de deputados do PSD ter decidido avançar com um pedido de referendo à despenalização da eutanásia à revelia de Rui Rio. De seguida, Adão Silva, primeiro vice-presidente da bancada, garantiu em público que não ia agendar a proposta, acusando de caminho os parlamentares por tomarem uma decisão “completamente inaceitável”. Rui Rio vai votar a favor.

A eutanásia está nas manchetes de hoje: “Eutanásia, uma linha que se cruza”, Público; “Eutanásia: dez deputados do PS vão votar contra e referendo põe PSD em guerra”, i; “Eutanásia: penalizasses disciplinares a médicos serão ineficazes”, DN; “Portugueses compram online a droga que permite a eutanásia”, JN.

Sobre um tema fraturante que divide opiniões e convicções não existe informação em excesso. Se não leu, faça-o agora, se leu, releia esta reportagem do Expresso na Bélgica publicada na revista E. O mesmo se sugere para a entrevista com François Damas, o médico que já fez mais de 200 procedimentos de eutanásia e acredita que “a missão da eutanásia na medicina é fundamental”. No capítulo da opinião, há quem sustente que “um liberal não pode defender a eutanásia” e quem pergunte se há “direitos inadmissíveis”.

Tiroteio em Hanau. A polícia alemã encontrou no seu apartamento o corpo sem vida (com alta probabilidade de ser o do) responsável pela troca de tiros num bar de Hanau, junto a um outro corpo. A cidade situada 25 quilómetros a leste de Frankfurt, foi palco de trocas de tiros na noite de quarta-feira, pelas 21h (em Portugal continental), que deixaram onze mortos e cinco feridos graves, escreve esta madrugada o Spiegel Online. Os media alemães reportaram sobre os “oito ou nove tiros disparados” no bar de shisha Midnight, em Heumarkt, no centro da cidade. Pouco tempo depois houve nova troca de tiros noutro bar de shisha de Hanau, o Arena Bar & Café. No final da noite, a polícia, que montou uma operação de grande aparato, continuava a desconhecer as causas certas dos dois ataques, apelando aos testemunhos da população.

Acordo difícil. Os líderes europeus reúnem-se a partir de hoje em Bruxelas e não se sabe quanto tempo levarão a chegar a acordo, ou mesmo se vão conseguir um acordo sobre o orçamento europeu para 2021-2027. Em cima da mesa estão um bilião e 94 mil milhões de euros que o presidente do Conselho Europeu propõe gastar nos próximos sete anos. Uns consideram que é demais, outros que não chega para financiar todas as prioridades e ambições europeias. O primeiro-ministro português recusa ser “prisioneiro do tempo” e diz preferir esperar a ter um “mau acordo” para o orçamento europeu até 2027. Estas são as linhas vermelhas que traçou.

No reino de todos os possíveis. Donald Trump ofereceu perdão a Julian Assange caso ele negasse o envolvimento da Rússia na revelação dos emails que prejudicaram a candidatura de Hillary Clinton à presidência, em 2016. A extraordinária oferta foi feita em Westminster na semana que precede a batalha legal para impedir a extradição de Assange para os Estados Unidos, onde é objeto de 18 acusações e pode ser condenado a 175 anos de prisão.

É trabalhador não-qualificado e gostaria de entrar no Reino Unido de forma legal? Esqueça. A partir de agora, não vai haver hipótese. Conheça o novo “sistema de pontos”.

Covid-19. Dois idosos iranianos morreram numa unidade de cuidados intensivos em Qom, 160 quilómetros a sul de Teerão, juntando-se à lista de vítimas mortais desde que o novo coronavírus ou Covid-19 começou a fazer vítimas. Morreram também dois passageiros japoneses que viajavam no navio de cruzeiros Diamond Princess. Vamos em 2012 mortes, veja aqui o mapa interativo da localização da doença. O geopolítico Pascal Boniface, diretor do IRIS, defende que se passou já de um assunto de saúde a uma questão de geopolítica. E pergunta porque temos nós mais medo do Covid-19 do que do vírus de gripe que matou mais de 60 mil pessoas nos Estados Unidos em 2017. A ler aqui. O “New York Times” atualiza o mapa da epidemia.

Ana 1-Isabel 0. Isabel dos Santos recorre da absolvição de Ana Gomes. A empresária angolana não se conforma e quer obrigar a diplomata a apagar seis tweets. Tribunal de primeira instância entendeu que prevalece a liberdade de expressão, Isabel dos Santos não se conforma.

Sobre os 100 metros de estrada municipal 255 ente Borba e Vila Viçosa que colapsaram em dezembro de 2018 houve deliberação por parte do Ministério Público: há oito arguidos por homicídio e violação de regras de segurança.

FRASES
“Não há país nenhum do mundo onde a eutanásia não se tenha expandido”, Theo Boer, crítico da despenalização na Holanda ao i

“Um psiquiatra com quem trabalhei disse-me que se tivesse algum dia aceitado praticar eutanásia na ala dele, no hospital, ao outro dia, todos os pacientes lha pediriam”, Theo Boer, idem, ao Expresso

“O suicídio não é um crime em nenhum país. Parece-me um pouco ridículo que seja crime ajudar alguém a fazer uma coisa que não é crime.”, Philip Haig Nitschke, ativista pela morte assistida ao Expresso

“Vamos ter de intensificar a contestação ao governo”, Isabel Camarinha, nova líder da CGTP ao Público

O QUE ANDO A LER E A VER
A publicidade pode ser uma obra de arte, séria, e a presente campanha da Scandinavian Airways é um maravilhoso exemplo disso. Pessoalmente, ilustra a razão porque adoro suecos e esclarece alguma coisa do sucesso que estes escandinavos têm nas suas excursões pelo mundo, como a que espalham pelo mundo desde os anos 1950, a Ikea. O anúncio da SAS pergunta: “O que é que é realmente sueco?” e a corajosa resposta é... “Nada!”. Ora veja.

Recomendo este Long Read do Guardian porque deve fazer sentido a todos aqueles que, tal como o autor, e eu, sentiram/sentem não ter tempo livre, ter uma vida cada vez mais ocupada e rápida: “Splendid isolation: how I stopped time by sitting in the forest for 24 hous”. Mark O’Connel fez aquilo a que se chama um “wilderness solo”. A boa ideia seria imitá-lo, não?

Não sou fã dele, porém o Carnaval está à porta e dentro de dois dias, no sábado 22, o palco do Teatro Nacional S. Carlos volta a acolher uma iniciativa da Companhia Nacional de Bailado que literalmente não acontece todos os dias. Quem quiser vestir uma fantasia (basta uma máscara na cara) vai poder dançar valsas e polcas no palco de um dos mais belos edifícios da cidade de Lisboa, classificado como Monumento Nacional. Orquestra Sinfónica Portuguesa e Coro do S. Carlos asseguram o repertório festivo. Se preferir esperar até 11 de março, o programa da CNB Dançar em Tempo de Guerra apresenta duas peças difíceis de apanhar dançadas ao vivo: Martha Graham e Kurt Jooss. Vai valer a pena.

Em dia de reflexão, debate e deliberação, o Curto termina aqui. Fique atento e siga-nos em www.expresso.pt. Estamos lá todos a trabalhar para que esta quinta-feira seja melhor para si.

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