Paula Santos Diretora-adjunta

Unidos no protesto: PSP e GNR na rua e a estreia do Movimento Zero

21 de novembro de 2019

Bom dia.

Os relatos variam mas a realidade retratada pouco se altera. Esquadras sem condições de higiene, infestadas de pragas de ratos ou baratas. Agentes sem meios para desempenhar as funções no terreno. Militares a comprar material para defesa pessoal do próprio bolso.

Não faltam testemunhos, na primeira pessoa, que encaixam neste retrato. No levantamento feito pelo Expresso junto da PSP, a lista de queixas avoluma-se. Na reportagem da SIC, há vídeos e fotos a sustentar as reclamações. A tudo isto, juntam-se reivindicações salariais.

Por trás do protesto estão as estruturas sindicais da PSP e da GNR. Mas há um novo fenómeno a ter em conta. Chama-se Movimento Zero, foi criado este ano nas redes sociais e é composto por agentes das duas forças que não confiam nos sindicatos tradicionais e estão revoltados com as chefias das polícias e com o Governo. Os organizadores não antecipam casos de violência, mas não falam por todos os participantes.

Não surpreende, como escreve o DN, que as forças especiais tenham ordem para tolerância zero na manifestação (agir ao mínimo sinal de desordem). E também ninguém se espanta com as fortes medidas de segurança registadas pela SIC no Parlamento onde nem sequer faltou a colocação de blocos de cimento. É junto à escadaria onde já se realizou, há 5 anos, um protesto violento das forças de segurança que se vão concentrar os manifestantes.

Desta vez, a ação conta com a presença e mobilização de 7 partidos representados na Assembleia da República que já garantiram que vão lá estar e ouvir as queixas dos polícias. PSD e PS preferiram ficar de fora. O protesto dos polícias já foi debatido em plenário na tarde desta quarta-feira. PCP, CDS e Chega discutiram o assunto, com os centristas a propor penas mais pesadas para quem comenta crimes contra forças de segurança.

Os sindicatos, como lembram os jornalistas Hugo Franco e Rui Gustavo, apelam à participação de todos os agentes e querem que seja “a maior manifestação de sempre”… Mas será mesmo assim? A pergunta é o ponto de partida para o debate no palco digital do Expresso e da SIC, ao vivo na redação. Ingredientes não faltam para que o protesto envolva mais polícias do que nunca, mas não se arrisca um número concreto.

Sobre a manifestação com hora de arranque prevista para a uma da tarde, deixo-lhe uma informação útil, se estiver em Lisboa: tome nota das limitações no trânsito. São muitas e a esta hora já se fazem sentir.

OUTRAS NOTÍCIAS


O IRS foi corrigido para 10 mil contribuintes. O fisco detetou um erro na liquidação entre 2014 e 2015 relacionado com rendimentos empresariais e de prestações de serviços. O Estado procura agora recuperar 3,5 mil milhões de euros. Os contribuintes já estão a ser notificados.



Alerta ambiental. O ministro Matos Fernandes defende a poupança de água perante um cenário de seca a sul do Tejo. Em declarações ao Expresso, assegura que está em marcha um plano para poupança de água que passa por poupar no consumo e por encontrar formas alternativas de fornecer água para cultivos e campos de golf.

Foi decidido o destino mais imediato do bebé abandonado à nascença.
A criança segue para uma família de acolhimento logo que tenha alta hospitalar. Era a proposta do Ministério Público e foi aceite pelo Tribunal de Família e Menores de Lisboa. A hipótese da criança vir a passar por uma instituição ficou assim afastada.

Um dos trabalhos jornalísticos que marca este ano promete continuar a dar que falar. As reportagens da SIC nos Açores e nos Estados Unidos sobre as crianças que viajaram com famílias americanas chegaram ao fim, mas tiveram consequências no terreno. Como conta a jornalista Amélia Moura Ramos, há mais 20 casos de famílias separadas pelas adoções à procura de respostas. Se ainda não viu, não perca aqui a última das cinco reportagens sobre o assunto.

Há novidades à mesa. O guia Michelin para 2020 tem alterações para Portugal. Há quatro novos restaurantes com uma estrela atribuída, mas outros três perdem a distinção. E há ainda uma espécie de upgrade para um restaurante português que sobe à categoria das duas estrelas. O menu completo para consultar aqui.

José Mourinho está de regresso aos palcos do futebol inglês e, por lá, os jornais desportivos não têm falado de outra coisa. É o novo treinador do Tottenham. Como escreve o New York Times, “England just can’t quit the portuguese coach”. É mesmo o que parece. Na verdade, Mourinho nunca esteve totalmente ausente. Deixou de treinar para continuar a aparecer como comentador e, mais recentemente, na Sky Sports, foi aumentando a regularidade dos comentários. Não surpreende que seja a estação inglesa a apresentar os detalhes sobre a contratação de três anos e meio. Por cá, o jornalista Diogo Pombo, da Tribuna Expresso, antevê a entrada em cena de José Mourinho e questiona-se sobre que tipo de treinador vamos ver nos relvados. O que afinal quer o treinador português do novo desafio? A pergunta de Bruno Vieira do Amaral. Talvez o próprio tenha resposta para dar por volta da hora do almoço, depois de ser apresentado e de falar aos jornalistas.


OUTRAS NOTÍCIAS LÁ FORA


Donald Trump foi alvo de uma declaração que o compromete no processo de destituição em curso. No depoimento feito na Câmara de Representantes, o Embaixador do EUA na União Europeia implicou diretamente Trump na estratégia de pressão alegadamente feita junto das autoridades ucranianas para a investigação dos negócios de Joe Biden e do filho. É um recuo em relação ao primeiro depoimento do Embaixador Gordon Sondland. Depois destes acontecimentos, o quinto debate entre os candidatos democratas à nomeação para as presidenciais não podia ter outro tema como destaque principal.

Stanley Johnson acha que Boris esteve melhor do que Jeremy Corbyn no frente-a-frente entre ambos. Melhor, sublinha, nas questões relacionadas com o Brexit. Stanley foi um observador atento do debate mas tem pouca distância para conclusões definitivas. O pai de Boris deu uma entrevista à jornalista do Expresso Ana França, onde diz muito mais. Stanley não é só o pai de Boris. Também tem carreira política e literária no Reino Unido.

Não serão as eleições antecipadas nem o Brexit as maiores preocupações da rainha por estes dias. As ligações – mal explicadas – do príncipe André com o empresário acusado de abusos sexuais sobre crianças, Jeffrey Epstein, continuam a alimentar suspeitas sobre o comportamento do filho da rainha e já tiveram uma consequência. O príncipe, conta o The Guardian, decidiu afastar-se de todos compromissos públicos onde representava a Casa Real inglesa. A entrevista que deu esta semana à BBC a negar o envolvimento com menores não travou as dúvidas, pelo contrário. Começaram a surgir notícias de universidades “apadrinhadas” pelo Duque de York que estariam a ponderar acabar com a ligação de patrono que detinham há anos com o príncipe. E não são só universidade, como avançava a Sky News. A reação acabou por surgir ao fim da tarde desta quarta-feira.

Há uma notícia a chocar o Brasil e o mundo inteiro, acrescento eu. Uma mulher, sem abrigo, foi abatida a tiro quando pedia esmola. O homicida alegou legitima defesa por tentativa de assalto, mas as imagens de videovigilância não confirmam a teoria. O homem foi detido.

DESPEDIDA


A cantiga é uma arma” – a última homenagem a José Mário Branco teve música e letra no velório do compositor. Houve música para a despedida na Voz do Operário.

Ainda a memória de José Mário Branco. A BLITZ recupera uma entrevista feita quando se cumpriram 40 anos sobre o álbum “Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades”. O músico que se tornou uma referência incontornável da música portuguesa, falava do seu mundo e de como via os desafios atuais. Sem esquecer a obra de Zeca Afonso, para além das canções de protesto.


FRASES

“Não me vejo a assumir um cargo europeu” – Rui Rio no Congresso do PPE

“É um privilégio quando um treinador vai para um clube e sente felicidade em relação à equipa que vai treinar” – José Mourinho

“ De ano para ano vai fechando um jornal, vai havendo uma crise numa rádio, num grupo de comunicação social e isso começa a atingir a democracia” – Marcelo Rebelo de Sousa


O QUE ANDO A LER


Chama-se “A Nossa Época, salvar a esperança” e está nas bancas há cerca de um mês. O autor deste livro, que começo agora a folhear, é Adriano Moreira. O texto divide-se em oito grandes temas que vão desde a geoestratégia mundial ao papel de Portugal no Mundo (o 25 de abril, por exemplo), passando pela ética, pelo elemento religioso (o sagrado na vida de cada um de nós), pela educação e terminam no olhar pelas personalidades, instituições e lugares. Trata-se no fundo de um documento onde é feita a compilação de vários textos escritos ao longo dos últimos anos pelo professor de ciência política.

Não é um livro para ler de uma assentada. É um livro em que nos detemos, em vários capítulos, e onde somos tentados a saltar de um lado para o outro atrás de títulos que nos despertam a curiosidade. Há um texto sobre o Papa Francisco ( “veio lembrar que o poder da palavra pode vencer a palavra dos poderes”) e outro sobre Mandela (“o direito igual ao voto era a arma de Mandela, que não admitiria a exclusão de nenhuma etnia, que afirmaria ‘somos todos sul -africanos’ e que não apoiou o seu conceito de futuro em nenhum ressentimento motivara pelo tratamento que sofrera durante os longos anos de encarceramento”).

A evocação dos 70 anos da NATO encerra o ciclo de textos do jurista, político e professor universitário que nasceu na aldeia de Grijó do Vale-Benfeito, em trás-os-Montes, lugar por onde a escrita também de detém… numa espécie de regresso ao passado.

Ainda longe das minhas (e vossas) leituras tome nota que vem aí um novo romance de Elena Ferrante. Já está disponível para os eleitores italianos mas, por cá, ainda vai demorar a chegar. Chama-se “A vida mentirosa dos adultos” e já suscitou o interesse dos principais jornais italianos. A jornalista Cristina Margato tem as pistas da nova prosa.

O QUE ANDO A OUVIR

Uma sugestão de podcast: Perguntas importantes para respostas que nos interessam a todos. Vamos ou não pagar mais IRS no próximo ano? Os especialistas do Expresso em economia respondem. João Silvestre, Elisabete Miranda e o especialista Alexandre Abreu no Podcast Money, Money, Money.


O QUE ANDO A VER


No Dia Mundial da Televisão falamos do futuro da caixa que mudou o mundo e que está a mudar com ele. Melhor dizendo, fala quem sabe. Na era da transformação digital, o que podemos esperar da televisão? Ricardo Costa e Pedro Boucherie Mendes são os convidados de João Miguel Salvador para mais uma conversa ao vivo na redação do Expresso e da SIC. É uma troca de ideias que não vai querer perder.


Sem perder de vista a televisão, mantenha-se informado a todo o minuto com o Expresso. Ao longo do dia no Online, ao fim da tarde com as manchetes da edição do Diário. A marca é Expresso, Tribuna, Blitz ou Vida Extra. Tudo o que acontece no país e no mundo, todos os dias e a toda a hora. Depois de amanhã, o seu semanário está nas bancas.

Tenho uma ótima quinta-feira!

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