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Passe Bem
A medida foi revelada em manchete do Expresso a 1 de setembro, o debate foi sendo feito ao longo dos meses, a agenda política marcou a apresentação para hoje e no final do mês os novos passes sociais estarão à venda. Justiça social ou eleitoralismo? Política social e de transportes ou o país inteiro a financiar as grandes cidades? Ou tudo isto?
A descida do valor dos passes sociais entrará em vigor a 1 de abril. No caso da área metropolitana de Lisboa, ela será de €30 para deslocações dentro de um município e de €40 para percursos intermunicipais, com um máximo de dois passes por família e gratuitidade até aos 12 anos.
“Lisboa propõe revolução no custo dos transportes públicos” era o título daquela notícia original do Expresso e sabemos porquê: a redução do preço dos passes sociais, em vigor a partir de abril, terá um impacto no rendimento líquido de muitas famílias maior do que teve a “devolução de rendimentos” (IRS) acumulada neste governo. Ela vai beneficiar sobretudo as Áreas Metropolitanas de Lisboa (AML) e Porto (AMP), o que já levou muitos autarcas a criticá-la, por agravar desigualdades: “Vamos começar por onde o país já é assimétrico”, dizia por exemplo há semanas o presidente da Câmara de Guimarães, Domingos Bragança.
O preço do transporte público cai 35% em todo o país, previa de início o governo. Mas o maior número de utilizadores (e portanto de beneficiários) está nas duas maiores cidades. Tanto que a área metropolitana de Lisboa (AML) logo fez as contas: as suas 18 câmaras iriam alocar anualmente à melhoria do transporte rodoviário no seu território cerca de €31,2 milhões. Em 2019, por ser uma espécie de ‘ano zero da revolução dos transportes’, a dotação irá cifrar-se em €25 milhões. Esta verba será somada aos cerca de €50 milhões que a AML espera receber do Governo, que segundo o Orçamento do Estado (OE) para 2019 irá consagrar €83 milhões a todo o país, para financiar a nova política para os passes sociais e outras medidas de promoção do transporte público.
O Governo projetou mais 100 mil pessoas a usar o passe social. E menos 73 mil carros a circular nas cidades.
E é aqui que entra a acusação de eleitoralismo, que Luís Marques Mendes repetiu ontem na SIC: esta é “uma espécie de bomba eleitoral”, porque há uma redução brutal dos preços, o que exemplificou com um utilizador com mais de 65 anos, utilizador da Fertagus, Metro e Carris, para quem “a poupança mensal é de 100,8 euros”, atingindo os 242,3 euros no caso de as contas serem feitas para um casal.
No sábado, ao Expresso, o presidente da Câmara de Lisboa dava outros exemplos: “o passe mais vendido da Fertagus (comboio no Fogueteiro, mais Metro), custa agora €88,5 — vai passar para €40. Fazendo contas a 11 meses (admitindo que as pessoas não comprem nas férias), há um ganho de quase €540 por ano, e o passe passa a incluir Carris, CP, barcos, TST e todas as rodoviárias privadas. Outro exemplo: para quem vive em Sintra e trabalha em Lisboa, a opção mais comum é autocarro/comboio/autocarro (Scotturb/CP/Carris), com passes entre €110 e €146, e passam todos para €40; há poupanças de €106/mês.”
Estamos a dois meses de eleições europeias e quase seis das legislativas. Fernando Medina afirma que “e tempo desta medida é o das autarquias” e que “seria imperdoável que algo com esta importância do ponto de vista social, económico e ambiental ficasse refém de um calendário ou de uma crítica de adversários políticos por a medida ser boa demais”.
Mas esta não é a única medida (ou anúncio) que pode ser considerada como eleitoralista. Se António Costa marcou para hoje a assinatura do contrato para os passes sociais, este pode ser apenas o zénite de um conjunto de “boas notícias”, tanto que Rui Rio já acusou o Governo de andar a inaugurar “duas e três vezes a mesma coisa” e admitiu fazer queixa à Comissão Nacional de Eleições, seguindo o exemplo de Cristas.
Quais são estas medidas e anúncios eleitoralistas? O Expresso contabilizou que o Governo fez pelo menos 27 anúncios desde o início do ano, a que a oposição pode chamar “propaganda”. Elas estão aqui.
OUTRAS NOTÍCIAS
Cá dentro,
Os hospitais vão poder contratar profissionais de saúde para colmatar insuficiências, sem necessitar de autorização expressa do Governo. A novidade surgiu hoje num despacho do Diário da República.
Morais Pires, antigo administrador do BES, recebeu uma indemnização superior a um milhão de euros duas semanas antes da queda do banco.
A situação na Coreia do Norte é daqueles assuntos que volta não volta regressa para atormentar o PCP, que manifestamente tem alguma dificuldade em lidar com a situação. Agora, numa entrevista, Jerónimo de Sousa considera que dizer que não há democracia naquele país é… “uma opinião”.
Ainda sobre o PCP, aqui poder ler sobre o discurso de Jerónimo de Sousa na iniciativa que marcou o aniversário do partido comunista, assinalado este fim de semana.
Nos últimos dois anos, os pedidos de nacionalidade portuguesa aumentaram e muito. Cerca de 50 por cento.
A Polícia Judiciária descortinou 210 crimes inventados, isto apenas nos últimos cinco anos.
Roger Waters escreveu uma carta ao nosso Conan Osiris a pedir-lhe que não vá ao Festival da Eurovisão, que este ano se realiza em Israel. Para ler na Blitz.
Em matéria de futebol, o Benfica respondeu ontem bem à pressão que o FC Porto lhe deixara na véspera e conseguiu ir a Moreira de Cónegos bater o Moreirense por quatro a zero. Volta assim à liderança do campeonato.
Ainda em matéria de futebol, destaque para mais um hat-trick de Leo Messi na liga espanhola. Aqui pode ver, ou rever, os golos do mago argentino.
Cristiano Ronaldo pode enfrentar uma punição pela sua polémica celebração no final do jogo dos oitavos de final com o Atlético de Madrid. A UEFA não gostou da forma como o português deu asas à sua satisfação.
Lá fora,
VOTA-SE O BREXIT OU NÃO? Estava prevista para amanhã uma terceira de Theresa May para fazer aprovar no Parlamento o seu acordo para sair da UE. Surgem agora notícias na imprensa britânica segundo as quais a primeira-ministra pondera não colocar a proposta a votos se não tiver a garantia de que passa. Nesse caso encostaria os deputados à parede na próxima semana: aprovação ou adiamento longo do Brexit.
NOVA ZELÂNDIA CONTRA ARMAS O Governo de Jacinda Ardern quer mexer nas leis sobre porte de armas, na sequência do atentado terrorista de sexta-feira contra duas mesquitas, que causou 50 mortos.
TIROTEIO NA HOLANDA Várias pessoas ficaram feridas em Utreque, durante um tiroteio ocorrido num elétrico.
FILIPINAS DEIXAM TPI O arquipélago asiático é o segundo país a abandonar o Tribunal Penal Internacional, depois do Burundi. O Presidente Rodrigo Duterte considera que o sistema judiciário filipino é suficiente.
MADURO QUER REMODELAR O contestado Presidente da Venezuela pediu a todos os seus ministros que colocassem o lugar à disposição. Nicolás Maduro quer mudar a forma de funcionamento do Executivo perante as ameaças que enfrenta, leia-se a insurreição liderada por Juan Guaidó
IDAI MATA EM MOÇAMBIQUE Só ontem as equipas de resgate conseguiram chegar à Beira, segunda cidade do país e a mais afetada pelo ciclone Idai, que matou pelo menos 150 pessoas na África Austral. Malawi e Zimbabwe são outros países assolados pela intempérie, que já prejudicou mais de um milhão de seres humanos.
FRASES
Pergunta feita a Jerónimo de Sousa: porque é que tem tanta dificuldade em admitir que não há uma democracia na Coreia do Norte? Resposta. "O problema não é esse. O que é a democracia? Primeiro tínhamos de discutir o que é a democracia."
Marques Mendes sobre os passes sociais: “A medida terá um impacto político e social enorme, uma espécie de bomba eleitoral”.
"Todos os líderes mundiais, todas as organizações, começando pelas Nações Unidas, consideram que foi um ataque contra o Islão e contra os muçulmanos, mas não o nomeiam, não dizem: 'Ele é um terrorista cristão'." Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, que mostrou durante um comício o vídeo do massacre na Nova Zelândia.
Atenção: Roger Waters escreveu sobre Conan Osíris: "Há alguns dias, escrevi uma carta a um jovem talento português, Conan Osiris. Ele tinha acabado de ganhar o direito de representar Portugal na Eurovisão e afirmou-se relutante sobre a sua ida a Telavive. Ouvi a música e traduzi a letra. É sobre usar o telemóvel para colocar questões sobre a vida, a morte e o amor. Achei-a profundíssima". O ex-Pink Floyd apelou ainda ao português para boicotar o festival da Eurovisão, que decorre este ano em Israel, em nome dos direitos humanos.
Por falar em Israel: “Quem se atrever a falar contra um judeu é um homem morto”. O líder de um partido israelita de extrema-direita, Michael Ben-Ari, foi banido das eleições do próximo mês devido a esta declaração.
"O Presidente Nicolás Maduro solicitou a todo o Gabinete Executivo que ponha os seus cargos à disposição, para efeitos de uma reestruturação profunda dos métodos e funcionamento do Governo bolivariano, para blindar a pátria de Bolívar (Simón) e Chávez (Hugo) perante qualquer ameaça." Anúncio feito esta domingo pela vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.
O QUE ANDO A LER
A Revista do Expresso desta semana apresenta um conjunto de textos longos que são uma leitura imperdível.
Em nome do filho. Os pais de crianças com trissomia 21 sabem que cada minuto perdido ou ganho tem repercussões no desenvolvimento dos filhos. Correm contra o tempo mal o bebé abre os olhos em direção a um futuro que depende dessa corrida. E no labirinto de terapias necessárias surge a desigualdade entre os que podem ou não pagar. Mesmo os que são diferentes não são todos iguais
O grande medo da Europa. Os ‘coletes amarelos’ fragilizaram Emmanuel Macron, cuja voz perdeu peso na União Europeia. Europeístas rezam por uma “saída limpa” da crise e para que ele recupere a tempo de ajudar a salvar a UE de uma vaga de antieuropeus nas eleições de maio
Até ao fim do mundo. A fuga de mais de 740 mil pessoas da minoria étnica muçulmana rohingya, de Myanmar, fez com que nascesse no sul do Bangladesh o maior campo de refugiados do mundo. Em apenas três meses. São hoje 1,2 milhões de pessoas dependentes de assistência humanitária
José Neves: "Queremos revolucionar a indústria da moda". Estudou numa escola de má fama do Porto, foi viver sozinho aos 13 anos e, aos 21, já tinha criado duas empresas. Numa longa conversa, o empresário que levou a Farfetch até à Bolsa de Nova Iorque fala dos planos para dominar a indústria da moda de luxo, desenvolver as lojas do futuro e erguer uma fundação para ajudar a tornar Portugal uma economia do conhecimento
Ficamos por aqui. Boas leituras e as nossas desculpas pelo atraso no envio desta newsletter. Amanhã cá estaremos à hora do costume.
Tenha uma grande semana.
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