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João Vieira Pereira Diretor-Adjunto

A Geringonça da direita

11 de Fevereiro de 2019

Há goleadas e há goleadas Sim, o Benfica ganhou 10 a zero e quem, a esta hora, chega ao local de trabalho já deve ter comentado o acontecimento algumas vezes. Até eu, que critico a parola futebolização do país, não posso passar ao lado do resultado. Por isso, não perca esta deliciosa crónica de Pedro Candeias.

Há 30 anos que uma equipa não marcava sete golos na segunda parte de um jogo. A maior derrota de sempre do Nacional é a maior goleada do Benfica em 55 anos. E desde que Bruno [Novo Herói Vermelho] Laje tomou conta da equipa, o Benfica conta com 8 vitórias em 9 jogos, 30 golos marcados e apenas 9 sofridos.

Com este resultado, está relançado o campeonato onde Porto, Benfica e Braga só dependem de si para serem campeões.

Geringonça da direita Regressemos então ao título deste curto. Há uma nova geringonça em perspetiva, mas ao contrário da portuguesa, esta é espanhola e de direita. Ontem, dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se em Madrid contra o Governo de Pedro Sánchez. Acusam o líder do PSOE de traição contra Espanha por negociar a soberania nacional ao ter iniciado conversações com os independentistas catalães, com vista à aprovação do Orçamento.

Esta não seria uma manifestação muito diferente de outras que já encheram a Plaza Cólon se não tivesse sido convocada pelos três partidos da direita espanhola. Pela primeira vez, Partido Popular, Ciudadanos e Vox — este último considerado de extrema direita — juntaram esforços para pedir a demissão de Sánchez. O resultado é uma foto inédita, considerada até impossível. Albert Rivera (Ciudadanos), Pablo Casado (PP) e Santiago Abascal (Vox) juntos contra um inimigo comum. A imagem já está a causar polémica, principalmente nas fileiras dos Ciudadanos.

45 mil pessoas encheram Madrid com as cores da bandeira de Espanha e alimentaram a convicção que o Governo pode estar por dias. Se o Orçamento não for aprovado, pode haver eleições em Espanha juntamente com as europeias, com as sondagens a colocar a direita no poder.

A dois dias da votação chave do Orçamento espanhol, o Governo de Sánchez quer usar a manifestação das “três direitas” (expressão usada pelo líder do PSOE) como chave para pressionar os independentistas a aprovarem o documento e assim salvarem o Executivo.

No meio desta confusão política começa amanhã, em Madrid, aquele que é considerado o julgamento mais importante da história democrática espanhola. Em causa está a tentativa de secessão, baseada num alegado direito à autodeterminação do povo catalão que a Constituição espanhola não reconhece.

Se em Espanha a direita se une, em Portugal acentuam-se as diferenças.

Ele, o partido Este fim de semana, o partido de um homem só mostrou que ele está acompanhado. No primeiro congresso do(a) Aliança, Pedro Santana Lopes assumiu-se liberal, disparou à esquerda, fintou a direita e rematou a Marcelo. Para a história ficam as fotos e algumas frases: “O Estado não tem dinheiro para satisfazer a Frente de Esquerda [vulgo geringonça]”; “O Estado só deve pagar segundo os rendimentos das pessoas. Não pode sustentar tudo e não pode sustentar empresas públicas desiquilibradas. Não podemos dar tudo a todos.”.


Melo contra todos O CDS deu o pontapé de saída para a campanha das europeias com Nuno Melo a endurecer o discurso contra todos. Fortes ataques ao PS (o alvo Pedro Marques, ou ministro da propaganda) e ao PSD, com ataques diretos a Paulo Rangel e indiretos a Rui Rio: “O CDS não se senta num dia a celebrar acordos sobre impostos europeus ou nacionais, ou sobre projetos de descentralização que os autarcas nem sequer querem, para noutro dia se levantar para fazer oposição."

OUTRAS NOTÍCIAS
Roma, ai Roma Alfonso Cuarón já era um dos favoritos, agora é o favorito para arrecadar o principal Oscar do ano, depois de ter levado para casa o Bafta de melhor filme (Roma) e de melhor realizador. Mas o grande vencedor da noite britânica foi “The Favourite”, que arrecadou sete prémios, entre eles o de melhor atriz, para Olivia Colman. A lista completa dos vencedores aqui.

Female power Esta madrugada, do outro lado do atlântico, foi noite dos Grammy. A cerimónia ficou marcada pelas vitórias, performances e apresentação no feminino, um ano depois dos prémios terem sido fortemente criticados por discriminação de género. A lista completa dos vencedores aqui.

Poucos mas com silêncio de estrondo Pouco mais de 400 pessoas marcharam em Lisboa este domingo em total silêncio como forma de expressar solidariedade para com as vítimas de violência doméstica em Portugal.

Dinero, dame dinero Lembra-se de umas máquinas que habitavam as portas de cafés e que tinham um peluche que gritava em espanhol: “Dinero, dinero, dame dinero”? Foi a imagem que me veio a cabeça ao ler esta entrevista que Morais Pires deu ao El País. Leia. Nem que seja para ver até onde onde vai o descaramento (e neste caso o mau jornalismo), já que o antigo CFO do BES constrói uma narrativa onde a mentira vive através de meias verdades, ajudadas por quem não faz as perguntas que deve. Lembro apenas que Morais Pires viu, para já, uma das condenações do Banco de Portugal confirmadas em Tribunal. Para Morais Pires as contas aldrabadas e as dívidas da família Espírito Santo eram geríveis, e as cartas de conforto da Venezuela ou a Eurofin nem existiram….

Retirados ao mar A equipa da Polícia Marítima portuguesa em missão no Mar Egeu resgatou, na madrugada de domingo, 34 migrantes que se encontravam a bordo de um bote. Entre eles estavam 20 crianças.

O rei dos sapatos Luís Onofre, presidente da APICCPAS, a associação portuguesa dos industriais do sector, vai ser o próximo presidente da Confederação Europeia da Indústria do Calçado.

Catrapum Uma grua de grandes dimensões caiu no Porto, destruindo parte do telhado de uma habitação onde residiam duas estudantes.

Fumo negro nos EUA As negociações sobre a gestão da fronteira entre os EUA com o México fracassaram, outra vez. Democratas e republicanos não se entenderam sobre a política de detenção de imigrantes. Está à vista um novo shutdown.

Maduro, o duro Nicolás Maduro deu início a exercícios militares que vão prolongar-se até à próxima sexta-feira. Uma demonstração de força inaugurada por um discurso que teve como alvo os EUA e Donald Trump: "que ele não nos ameace”.

Fear Brexit Wall Street está com medo do Brexit. A menos de sete semanas do ‘dia d’, várias empresas do S&P 500 estão a avisar os investidores do aumento dos riscos de um ‘hard Brexit’. Isto porque Theresa May rejeitou a proposta de Corbyn para o Brexit.

Ai a banca alemã O Deutsche Bank está a pagar um preço demasiado alto para se financiar à medida que aumentam os receios em relação à instituição.

Airbnb nos transportes A plataforma Airbnb está a estudar o lançamento de serviços complementares ao alojamento. A empresa contratou Fred Reid, o experiente executivo americano que liderou companhias aéreas como a Virgin América e a Delta Airlines, para desenvolver uma nova unidade de negócio.

O QUE DIZEM OS NÚMEROS
€7,5 mil milhões é o valor que Portugal recebeu da Comissão Europeia, desde o início do programa Portugal 2020. Ocupamos o segundo lugar entre os Estados-membros que mais fundos comunitários receberam.

€707 milhões são os lucros da Galp Energia em 2018, um crescimento de 23% face ao ano passado.

A Bitcoin faz 10 anos e não faltam louvores e críticas à moeda virtual

€50 mil é o valor que Carlos Ghosn, o ex-presidente da aliança Renault-Nissan detido em Tóquio, vai devolver à sua empresa que pagou a organização do seu casamento no Palácio de Versalhes.

O QUE EU ANDO A LER
Fixe este nome Leïla Slimani É a segunda fez que a trago aqui. E não vai ser a última. A “menina bonita” da literatura francesa é capaz de uma escrita cruel. ‘No jardim do ogre’ não era um livro bonitinho, mas não nos fazia recear virar cada página. Já ‘Canção Doce’ não é para todos. Se é daqueles que não conseguem suster uma lágrima numa qualquer história da carochinha, prepare-se para um carrossel de emoções. Um drama do princípio ao fim.

Mas Slimani é um nome obrigatório na nova literatura francesa. Em 2016, a escritora e jornalista nascida em Marrocos ganhou o prémio Goncourt mas foi o convite, recusado, de Emmanuel Macron para se ocupar da Cultura francesa que a lançou para o estrelato.

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