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Marco Grieco Diretor de Arte

A eternidade. Da greve dos enfermeiros, da ajuda aos bancos. A morte. Da nossa privacidade. Este é o meu Expresso

9 de Fevereiro de 2019

Não é soberba, tampouco pedantismo ou empáfia. Quer ler ou reler, ver ou rever o melhor jornalismo que se fez em 2018? Pode começar hoje mesmo e não há de arrepender-se. Quando sair daqui a pouco para beber o seu café e comprar o seu semanário de eleição, não perca a oportunidade de trazer para casa também a revista Expresso Extra. São 260 páginas repletas do que melhor se fez no seu Expresso. Todos os formatos jornalísticos numa edição para descobrir, recordar e guardar, impressos num papel especial. Como especiais são todos os sábado, na companhia fiel do seu Expresso. Porque há coisas que fazem (muito) mais sentido em papel.

ASAE investiga greve dos enfermeiros

Quem tem financiado a greve dos enfermeiros nos blocos operatórios? A pergunta continua sem resposta oficial. A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica vai investigar o fundo solidário que já deu aos enfermeiros mais de 784 mil euros e decidiu avançar já com uma fiscalização perante as crescentes suspeitas sobre a origem do crowdfunding dos enfermeiros.

Sem mudar de assunto, mas passando para o lado das farmácias, já lá vai o tempo em que ter uma receita médica era garantia de aviar, à primeira, os medicamentos que lhe faziam falta. Segundo um relatório do Centro de Estudos e Avaliação em Saúde da Associação Nacional de Farmácias, só em 2018 faltaram nas farmácias 64,1 milhões de embalagens de medicamentos, ou seja, que não foram dispensadas à primeira.

E se a saúde já não ia bem, saiba que os maiores hospitais querem suspender convenções com ADSE. No ano passado, cerca de 900 mil beneficiários do subsistema de saúde dos funcionários públicos recorreram ao regime convencionado, tendo feito consultas, cirurgias, tratamentos diversos, análises e outro tipo de exames em unidades privadas.

Os esmagadores números da violência doméstica

81 por dia, três por hora, um a cada 20 minutos. 2018 foi o ano recorde em denuncias de violência doméstica em Portugal. A PGR abriu 29.734 inquéritos por crimes de violência doméstica em 2018, um dos valores mais altos de sempre e um aumento de 11% em relação a 2017. Depois de três anos a descer, os números de femicídio – assassinato de uma mulher cometido por razões de género – voltaram a aumentar em 2018. Morreram 28 mulheres. Este ano, já foram 10. Governo quer apostar na prevenção e promete €300 mil para mudar cultura machista junto das crianças.

MP ocultou despacho a favor de Sócrates

Ao fim de três meses de análise às contas de José Sócrates e da sua mãe na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do empresário Carlos Santos Silva no então BES, tudo se precipitou no mesmo dia: 19 de julho de 2013. Nessa data, numa investigação informal que estava a ser desenvolvida com o formato de processo administrativo e que acumulava já várias centenas de páginas, um procurador do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) assinou um despacho com efeitos imediatos. Só uma parte desse despacho era conhecida até hoje. O seu conteúdo, no entanto, pode vir a ter implicações no desfecho da atual fase em que se encontra a Operação Marquês.

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Sempre os bancos! Seja António, seja Pedro…

A pesada fatura do apoio aos bancos para as contas públicas no Governo de António Costa, de acordo com o INE, já ultrapassa a registada no Governo PSD/CDS. Os valores são, ainda assim, próximos. Entre 2011 e 2015 (até outubro), foram gastos €8,2 mil milhões com destaque para a operação no BES em agosto de 2014 que custou €4900 milhões. No mandato do atual Governo, com o montante pedido pelo Novo Banco o total sobe para €9000 milhões. A intervenção no Banif – €2225 milhões –, os mais de €4000 mil milhões para a recapitalização da CGD e os cerca de €1900 milhões em transferências para o Novo Banco ao abrigo do mecanismo de capitalização completam as contas. Afinal, parece que o monstro das bolachas continua a comê-las todas…

Governador do Banco de Portugal vai mandar menos

O Governo de António Costa quer reduzir os poderes do supervisor da banca, retirando-lhe a palavra final em várias matérias, como na intervenção em instituições em dificuldades – mas obrigando-o a estar envolvido na discussão. Entre outras diretivas, a nova arquitetura para a supervisão financeira prevê que o governador deixe de ter intervenção na escolha dos restantes administradores do Banco de Portugal e que possa ser demitido das suas funções por condenação judicial à qual não seja possível recorrer. Será ainda criada uma “comissão de avaliação e remunerações” para dar parecer sobre os nomes propostos para as administrações de todas as entidades do Sistema Nacional de Supervisão Financeira, bem como definir remunerações.

Estamos a crescer, mas pouco

Os sinais de abrandamento vinham a multiplicar-se e terão culminado num crescimento bem abaixo da barreira simbólica dos 2%. É essa a previsão dos economistas ouvidos pelo Expresso sobre o comportamento da economia portuguesa nos últimos três meses de 2018. Caso se confirme, este resultado deverá levar a expansão da economia no conjunto de 2018 a ficar pelos 2,1%, bem abaixo dos 2,8% de 2017 e aquém dos 2,3% previstos pelo Governo. Na Europa da moeda única, não há cenário de recessão previsto para 2019, mas a desaceleração vai ser muito maior do que o esperado pela Comissão Europeia ou pelo Fundo Monetário Internacional.

E ainda…

. O imbróglio venezuelano pelos olhos de Francisco Louçã

. Diesel. A agonia do velho dinossauro ainda está para durar

. “Boom” imobiliário de Lisboa chega às periferias

O (pouco) admirável mundo novo

Que as grandes empresas tecnológicas recolhem e partilham com terceiros a informação dos seus utilizadores não é novidade. Mas quando o Estado acede a esses dados então a democracia pode estar em risco. Na China, a partir de 2020, se o plano do Partido Comunista se mantiver, cada passo, cada pulso numa tecla, cada ‘gosto’ ou ‘não gosto’, cada contacto ou post nas redes sociais que o Estado monitorize afetará o crédito social de uma pessoa. Uma complexa escala de pontos individual será utilizada para recompensar e punir indivíduos, concedendo-lhes ou negando-lhes acesso a serviços públicos como assistência de saúde, viagens e empregos. Estará o Ocidente livre desta maldição binária e bizarra? Tudo indica que não.

Escravos do século XXI

Não. Não é o título de um filme de Hollywood. “Fui 11 anos escravo,” revela Manuel, um homem de olhar rasteiro, a contar sofridas 55 primaveras. O passo calado, quase suspiro. “Já viu um homem de 55 anos a levar porrada de um miúdo de 14 e não poder fazer nada?”, na voz de alguém que traz no corpo e na memória algo que jamais deveria ter existido… O Expresso ouviu esta e outras histórias contadas na primeira pessoa, numa casa-abrigo para vítimas de tráfico humano em Portugal. A única para homens, onde 40% das vítimas acolhidas são portuguesas.

Gulbenkian atrás das grades… da ditadura

Calouste Gulbenkian foi um dos muitos milhares de refugiados que procuraram Lisboa durante a Segunda Grande Guerra. Chegado em abril de 1942, com o estatuto de diplomata do Irão, era já então um dos homens mais ricos do mundo. Hospedado no Hotel Aviz, o melhor na Lisboa de então, acabou por ser preso ao fim da tarde de 17 de dezembro de 1942 pela PVDE, a temida polícia política de Salazar, e levado para uma das cadeias de Lisboa. Felizmente, a Fundação que leva o seu nome preservou documentos sobre este “muito lamentável” episódio — revelador do total arbítrio da polícia política e da ditadura. Ignorado pela historiografia sobre o Estado Novo e sobre a própria Fundação, foi agora revelado no âmbito das comemorações dos 150 anos do nascimento de Calouste Sarkis Gulbenkian.

E ainda…

. O milagroso Viagra foi criado há duas décadas

. Entrevista a Carlos Fiolhais; “Se perguntar o que é o amor, a ciência não saberá responder”

. “A Favorita”, o atrevimento que valeu 10 nomeações para os Óscares

Bom fim de semana.

Nos vemos pelo Expresso.

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