Luanda Leaks

Luanda Leaks: Jaime Esteves deixa liderança da fiscalidade da PwC, empresa que auditou a Sonangol na era Isabel dos Santos

21 janeiro 2020 13:38

Jaime Esteves deixou de liderar o departamente de fiscalidade da PricewaterhouseCoopers (PwC) na sequência da decisão da consultora internacional de deixar de trabalhar empresas controladas pela família de José Eduardo dos Santos

21 janeiro 2020 13:38

Jaime Esteves é um dos principais sócios da PwC e liderava, desde 2009, o departamento de fiscalidade da auditora em Angola, Cabo Verde e Portugal. Comunicou à sua equipa a decisão de que iria deixar de liderar esta área na segunda-feira, segundo noticiou o Observador. É, sabe o Expresso, um dos quadros da PwC que trabalhou mais de perto com Mário Leite da Silva nas operações relacionadas com Isabel dos Santos, nomeadamente a Sonangol.

O consultor sai da liderança do departamento de fiscalidade no âmbito das alegações do inquérito interno que está a decorrer na PwC, na sequência das investigações que estão a ser feitas aos negócios de Isabel dos Santos, confirmou o Expresso junto da auditora. Na origem da decisão está também a "seriedade das alegações do Luanda Leaks", como o próprio Jaime Esteves disse ao Observador.

Jaime Esteve é dos mais antigos sócios da PwC e vai continuar na auditora. Está atualmente nos escritórios de Lisboa, mas era nos escrítórios do Porto, onde Mário Leite da Silva trabalhou, que fez grande parte da carreira na PwC. Jaime Esteves é juntamente com Ivo Farias um dos sócios da PwC com quem mais Mário Leite da Silva trabalha nos negócios da empresária angolana.

CEO mundial da PwC lamenta saída tardia

Bob Moritz, o presidente da comissão executiva da PwC, admitiu entretanto estar "chocado" com as revelações que estão a ser feitas sobre as operações de Isabel dos Santos, no âmbito do Luanda Leaks, e diz-se "desiludido por não ter identificado" os problemas mais cedo e "de não ter saído mais cedo". "Não foi o nosso melhor momento, mas espero que possamos avançar rapidamente", afirmou Bob Moritz, à margem dos encontros de Davos, dos quais Isabel dos Santos, considerada a mulher mais rica de África, foi afastada.

A PwC, esclareceu Bob Moritz, em declarações ao Guardien, está a investigar e a avaliar até que ponto devido ao seu comportamento há sócios que devem perder as suas posições, ter bónus bloqueados ou simplesmente serem despedidos. "Iremos olhar para comportamentos individuais, e perceber até que ponto estes saíram fora dos seus papéis de liderança, tiveram compensações ou até passaram para lá do que deverá ser o seu trabalho", frisou. Bob Moritz sublinhou porém que a PwC não quer ter decisões precipitadas e vai esperar pelos resultados das investigações, embora admite que é preciso alguma velocidade por forma a que a PwC reganhe a confiança.

Quadro de topo inglês esteve em Lisboa

A PwC, noticiou o Expresso na edição de sábado, decidiu deixar de trabalhar com empresas controladas pela família de José Eduardo dos Santos. "Perante as recentes alegações, a PwC iniciou de imediato uma investigação interna, procurando apurar com o máximo rigor todos os factos e concluir este processo. A PwC não hesitará em tomar as medidas necessárias para garantir os mais elevados padrões de comportamento ético e profissional", disse fonte oficial da auditora ao Expresso. Explicou também então que : "tinham sido tomadas as ações necessárias para pôr fim à relação profissional existente com entidades controladas por membros da família de [José Eduardo] dos Santos."

A decisão foi tomada depois de um alto quadro da PwC de Londres se ter deslocado a Lisboa, na semana passada, com a missão de tratar do dossiê Isabel dos Santos.

A PwC tem sido, nos últimos anos, uma das principais auditoras e consultoras das empresas controladas pela primogénita de Eduardo dos Santos — foi consultora e auditora da Sonangol, onde entre 2016 e 2017 teve uma equipa de mais de 50 pessoas, trabalhava também com o Banco de Fomento Angola e chegou a auditar a Unitel. Em Portugal, o envolvimento da PwC tem sido grande na Efacec, cuja compra assessorou.