Longevidade

Esperança de vida à nascença diminui devido à covid-19

30 maio 2022 12:30

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Entre 2019 e 2021, a esperança de vida à nascença fixou-se nos 80,72 anos, uma diminuição de 4,1 meses em relação ao triénio anterior. INE indica que é o resultado do aumento do número de mortes no contexto da pandemia

30 maio 2022 12:30

A esperança de vida à nascença situou-se nos 80,72 anos no período entre 2019 e 2021 – 77,67 anos para os homens e 83,37 anos para as mulheres, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) nesta segunda-feira.

Em comparação com o triénio anterior (entre 2018 e 2020), verifica-se uma redução de 4,1 meses, quando a esperança de vida à nascença era de 81,06 anos. A diminuição é de cerca de 4,8 meses para os homens e de 3,6 meses para as mulheres. Tal deve-se ao aumento do número de mortes no contexto da pandemia de covid-19, sobretudo de “pessoas com idades iguais ou superiores a 60 anos, em particular dos 65 aos 84 anos”, explica o INE.

A descida é “equivalente ao progresso observado nos últimos quatro períodos, retomando valores próximos dos estimados para 2015-2017”, que estavam nos 80,78 anos. No entanto, o INE destaca que a diferença de esperança de vida à nascença de homens e mulheres voltou a aumentar, o que contraria a “tendência de convergência” registada até ao triénio 2017-2019. “Nos últimos dez anos, a diferença na esperança de vida à nascença de homens e mulheres diminuiu de 5,96 em 2009-2011 para 5,70 anos em 2019-2021”, indica.

A esperança de vida à nascença aumentou 14 meses na última década – 14,4 meses para os homens e 11,3 meses para as mulheres. No caso dos homens, o acréscimo é “maioritariamente proveniente da redução da mortalidade em idades inferiores a 60 anos, em particular dos 35 aos 59 anos”, enquanto nas mulheres “resultou sobretudo da redução na mortalidade em idades iguais ou superiores a 60 anos”.

Aos 65, portugueses esperam viver mais 19,35 anos

Quanto à esperança de vida aos 65 anos, estimou-se em 19,35 anos para o período entre 2019 e 2021, um decréscimo de 4,1 meses face a 2018-2020. Os homens podiam esperar viver mais 17,38 anos e as mulheres 20,80 anos, valores que representam uma redução de 4,6 e 3,7 meses, respetivamente, em relação ao triénio anterior.

O INE refere que esta diminuição é “equivalente ao progresso observado nos últimos cinco períodos, retomando valores próximos dos estimados para 2014-2016” – 19,31 anos.

Nos últimos dez anos, a esperança de vida aos 65 anos aumentou 5,5 meses para os homens e 7,2 meses para as mulheres. No período entre 2019 e 2021, o diferencial entre homens e mulheres foi de 3,42 anos.

O INE estimou ainda, para o triénio 2019-2021, que 36,1% dos nados-vivos do sexo masculino e 57,3% dos nados-vivos do sexo feminino sobrevivam à idade de 85 anos “se sujeitos, ao longo das suas vidas, às condições de mortalidade específicas por idade observadas neste período”. No triénio anterior, estes valores situavam-se nos 38,3% para homens e 59,1% para mulheres.