José Roquette e o "bichinho da rádio"
14.10.2009 às 10h00
O empresário é um dos mais antigos radioamadores portugueses. Tem dois postos de rádio e um museu caseiro de telecomunicações e fala para locais tão longínquos como a Austrália
Toca órgão, joga golfe, interessa-se pela aeronáutica e pela astronomia, mas o radioamadorismo é a sua paixão mais antiga. São os mais de 60 anos de dedicação à actividade que colocam o empresário José Roquette na lista dos radioamadores mais antigos de Portugal. Aos 14 anos fez o seu primeiro emissor. De seguida, fez um curso de radiotecnia por correspondência e começou a fazer os seus próprios aparelhos receptores e emissores. Foi autodidacta e aprendeu o código Morse, que usa até hoje. O antigo presidente do Sporting possui uma invejável colecção que lhe permitiu criar um museu caseiro de telecomunicações.
O "jeito que tinha para a coisa" levou o empresário a obter licenças para duas estações de rádio: uma em Lisboa e outra na Herdade do Esporão, local que diz ser o seu "refúgio" e onde faz uma dúzia de comunicações radiofónicas por mês, habitualmente com os amigos. Acontece também falar com "figurinhas no Pacífico", radioamadores excêntricos que só pelo prazer da actividade fazem expedições para instalar aparelhos emissores e receptores em sítios improváveis, como ilhas perdidas no Pacífico.
As possibilidades de comunicação num aparelho rádio, mesmo nas bandas de ondas curtas, existem em qualquer ponto do planeta. "É fácil falar com pessoas na Austrália ou no Pólo Sul ou nos Himalaias!", explica Roquette. "Mas as comunicações devem ser curtas e, às vezes, só se consegue dizer o nome e o local da transmissão."
José Roquette garante que o radioamadorismo é ainda "um negócio de milhões, onde continua a haver interesses". O empresário salienta também que, "em caso de emergência, os radioamadores ajudam a protecção civil a estabelecer comunicações que de outra forma seriam impossíveis".
As tecnologias de comunicação desde sempre despertaram a atenção do empresário, que está a par da "revolução das tecnologias de informação". Recorda-se com orgulho de ter participado, em 1963, na instalação do primeiro computador em Portugal, um UNIVAC 1005, na banca portuguesa. Na altura fez um programa para a HP, o cash flow analysis. Foi um êxito mundial.