Tecnologia e Ciência

“É um bom prenúncio”: Webb detetou dióxido de carbono na atmosfera de um planeta extrassolar

26 agosto 2022 17:50

Representação artística do exoplaneta WASP-39 b

nasa, esa, csa e j. olmsted (stsci)

É a primeira vez que dióxido de carbono é detetado na atmosfera de um exoplaneta. Observações anteriores já tinham confirmado a presença de vapor de água, sódio e potássio no WASP-39 b, um escaldante gigante gasoso localizado a 698 anos-luz, onde a temperatura pode rondar os 900 graus

26 agosto 2022 17:50

O telescópio espacial James Webb (JWST, na sua sigla em inglês) detetou, pela primeira vez, evidências claras da presença de dióxido de carbono na atmosfera de um exoplaneta, designação atribuída a mundos localizados fora do Sistema Solar. O WASP-39 b trata-se de um gigante gasoso, identificado em 2011 e localizado a 698 anos-luz da Terra, com uma massa equiparável à de Saturno e com um diâmetro 1,3 vezes maior do que o de Júpiter.

O exoplaneta orbita uma estrela do tipo G, semelhante ao Sol, e demora apenas 4,1 dias para completar o seu movimento de translação. Por estar tão próximo da estrela-mãe, este gigante gasoso é extremamente quente, com uma temperatura que pode rondar os 900º Celsius.

“Ao contrário dos gigantes gasosos mais frios e compactos do nosso Sistema Solar, o WASP-39 b orbita muito perto da sua estrela, a apenas uma oitava parte da distância entre o Sol e Mercúrio”, refere a NASA num comunicado divulgado esta quinta-feira.

Observações anteriores, efetuadas pelos telescópios Hubble e Spitzer, já tinham revelado a existência de vapor de água, sódio e potássio na atmosfera deste planeta. Agora, através de uma espectroscopia no infravermelho próximo realizada pelo NIRSpec, instalado no James Webb, foi confirmado que o WASP-39 b possui também dióxido de carbono.

“Encontrar um sinal tão claro de dióxido de carbono no WASP-39 b é um bom prenúncio para a deteção de atmosferas em planetas mais pequenos e de tamanho terrestre”, considera Natalie Batalha, investigadora da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, que dirige a equipa JWST Transiting Exoplanet Community Early Release Science.

“As moléculas de dióxido de carbono são indicadores sensíveis da história da formação dos planetas”, frisa o pesquisador Mike Line, da Universidade Estatal do Arizona. “Ao medir esta característica de dióxido de carbono, podemos determinar quanto material sólido, em comparação com o material gasoso, foi utilizado para formar este gigante gasoso”, acrescenta o especialista.