Legislativas 2019

Distrito a distrito, como o PS tirou deputados a PSD, BE e CDU

6 outubro 2019 22:58

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Aconteceu um pouco por todo o país: nos muitos distritos que já fecharam a contagem, os socialistas de António Costa foram tirando deputados ao PSD (sobretudo), mas também ao Bloco e CDU. Até na Madeira. Eis como o mapa ficou mais pintado de cor-de-rosa

6 outubro 2019 22:58

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Açores: PS à frente, sem grandes alterações

O retrato dos Açores é muito semelhante ao das eleições de há quatro anos. O PS mantém-se à frente com 40,06%, ligeiramente menos do que em 2015 (40,37%). Os sociais-democratas vêm logo a seguir com 30,21%. É verdade que perderam, mas não foi uma queda muito acentuada (tinham 36,06% em 2015). Quanto ao número de deputados, nada se altera: três para o PS e dois para o PSD.

O Bloco de Esquerda é a terceira força mais votada (7,97%), seguida pelo CDS (4,80%). Enquanto a CDU perdeu (ficou agora pelos 2,45%), o PAN subiu de 0,87% para 2,65%, com o número de votos quase a triplicar.

Aveiro: PS ultrapassa PSD pela primeira vez em 10 anos

No distrito de Aveiro é a primeira vez na última década, num total de quatro eleições legislativas, que o Partido Socialista (PS) fica à frente do Partido Social Democrata (PSD). Os socialistas asseguraram sete deputados neste círculo, com 34,31% dos votos, contra os seis deputados do PSD, para 33,35% dos votos.

Desde 2009 que o PSD era mais forte em Aveiro, tendo em 2015 chegado a eleger, coligado com o CDS, uma dezena de deputados, contra apenas cinco do PS. Agora os socialistas recuperaram dois assentos parlamentares no distrito de Aveiro. Mas não foram os únicos vencedores.

O Bloco de Esquerda ao reforçar a sua votação de 9,6% para 9,96% conseguiu passar de um para dois deputados pelo círculo de Aveiro. O CDS, com 5,69%, assegurou um lugar no Parlamento.

A CDU não foi além de 3,05%, abaixo dos 4,36% alcançados em Aveiro há quatro anos.

Beja: PSD perde deputado, Chega é a 6ª força mais votada

Com os votos contados nas 75 freguesias do distrito, o destaque vai para a perda do deputado do PSD eleito em 2015 e a subida de um para dois entre os socialistas. O PCP mantêm-se como o segundo partido mais votado: apesar de uma perda de dois pontos percentuais face às últimas legislativas mantém um deputado. O PS sobe 3.4 pontos percentuais e o PSD cai dos 20% para os 13%. Menção ainda para o partido de André Ventura, do Chega, que aparece num distrito onde a esquerda domina como a sexta força partidária mais votada (a seguir a PSD, BE e CDS): obteve 1313 votos, chegando aos 2%

Braga: PS e BE crescem, PCP e CDS perdem

Em 2019, o Bloco de Esquerda obteve praticamente a mesma votação que tinha registado quatro anos antes no distrito de Braga, mas conseguiu duplicar o número de deputados eleitos pelo círculo eleitoral.

O BE elege dois deputados, com 8,88% dos votos, quando, em 2015, teve 8,80% dos votos mas só elegeu um deputado.

O distrito de Braga é uma vitória para o PS, que ganha mais um deputado pelo círculo, passando a oito, o mesmo número que o PSD.

Os sociais-democratas tinham-se candidato com o CDS em 2015, conseguindo oito deputados, pelo que mantêm o número de mandatos. Já o CDS perde um, já que, nessa coligação, tinha atingido dois mandatos, e agora, com 4,11%, só elege um.

A derrota da noite eleitoral no distrito é do PCP-PEV, em que Carla Cruz, eleita em 2015, falha agora a eleição.

Bragança: Nada de novo, PSD recua mas fica acima do PS

O Partido Social Democrata perdeu nove pontos percentuais dos votos obtidos em Bragança nas legislativas de 2019, face ao sufrágio de há quatro anos em que concorreu em coligação com o CDS, mas, mesmo assim, permanece na linha da frente na região.

Tendo em conta os resultados finais, o PPD/PSD conseguiu quase 26 mil votos no círculo eleitoral do interior, 40,78% do total, o que permite a conquista de dois mandatos de deputados (Adão Silva e Isabel Lopes).

O PS, com 36,54%, que corresponde a mais de 23 mil votos, consegue eleger um deputado (Jorge Gomes).

A distribuição de mandatos é idêntica à de 2015 (aliás, já é assim desde 2009) mas, há quatro anos, a distância entre os dois partidos era bem maior. O PSD tinha, aí, 49,41% dos votos, acima dos 34,06% do PS.

O BE melhorou a votação, com uma percentagem de 6,03% (face aos 5,54% de 2015), acima dos 4,46% do CDS e dos 2,12% do PCP-PEV.

Castelo Branco: PS vence e tira um deputado ao PSD

Com os resultados das 120 freguesias do círculo eleitoral de Castelo Branco já apurados, o PS venceu e vai eleger três deputados à Assembleia da República.

Depois dos 40, 88% dos votos, em segundo lugar surge o PSD, com 26,33% por cento, e o direito a colocar um parlamentar na Assembleia da República.

Face às eleições legislativas de há quatro anos, a grande diferença é que o PS e o PSD elegeram ambos na altura dois deputados. O PS sobe assim um, que rouba diretamente ao PSD.

Em relação aos restantes partidos, Bloco de Esquerda e PCP-PEV voltam a surgir respetivamente em terceiro e quarto lugares.

O PAN, apesar de continuar a não eleger ninguém pelo círculo, praticamente triplica os votos, passando de 860 para 2231.

Coimbra: PS vence e desempata em deputados com o PSD

Com as 155 freguesias do círculo eleitoral de Coimbra já apuradas, o PS é o vencedor no distrito, com 39,02% dos votos e a eleição de cinco deputados para o Parlamento.

O PSD surge em segundo lugar, com 26,61 % dos votos e a eleição de três parlamentares. Face há quatro anos, o PSD perde o primeiro lugar que tinha conseguido em Coimbra, então coligado com o CDS.

Em terceiro lugar, surge o Bloco de Esquerda, que repete a eleição de um deputado pelo distrito.

Évora: PSD volta a não ter qualquer deputado, como sucedeu no primeiro Governo Sócrates

O Partido Social Democrata (PSD) perdeu para o Partido Socialista (PS) o assento parlamentar que nas últimas três legislaturas tinha assegurado pelo círculo de Évora. E voltará a ter zero deputados por Évora, como sucedeu entre 2005 e 2009, durante o primeiro Governo de José Sócrates.

O ano 2005 tinha sido o último em que o PSD tinha ficado em branco no distrito de Évora, permitindo ao PS eleger dois deputados por aquele círculo, a somar ao deputado da CDU (coligação do Partido Comunista e d'Os Verdes).

Durante três eleições legislativas consecutivas (2009, 2011 e 2015) os resultados do distrito de Évora distribuíram um deputado por cada uma daquelas forças (PS, PSD e CDU).

Nas legislativas deste domingo, fechada a contagem de votos no distrito de Évora, o PS (38,33% dos votos) voltou a assegurar dois deputados, a CDU (18,89%) um e o PSD zero (17,48%).

Faro: PS sobe, comunistas desaparecem do distrito

Com os resultados das 67 freguesias do círculo eleitoral de Faro já apuradas, o PS saiu como vencedor no distrito, com 36,76% dos votos e a eleição de cinco deputados. Face há quatro anos, os socialistas conseguem eleger mais um parlamentar.

Em segundo lugar, aparece o PSD, com 22,30% dos votos e três parlamentares eleitos. Os mesmos que há quatro anos, embora na altura tenha ido às urnas coligado com o CDS.

O Bloco de Esquerda repete o terceiro lugar no círculo, mantendo o deputado eleito pelo círculo do Algarve.

Finalmente, a CDU desce dos 8,68 % dos votos para os 7,05% e com essa queda deixa de conseguir eleger um deputado.

Guarda: PSD perde um dos dois deputados que tinha, PS mantém dois

O distrito da Guarda foi nas eleições legislativas deste domingo penalizado com a redução da sua representação na Assembleia da República, passando a contar com três deputados em vez dos quatro que elegia até 2015. Esta redução acabou por penalizar também o Partido Social Democrata (PSD), que perdeu um dos dois deputados que tinha.

Fechada a contagem de votos no distrito da Guarda, o Partido Socialista (PS) assumiu a liderança, com 37,55% dos votos (tinha tido 33,78% há quatro anos), o suficiente para conservar os dois lugares no Parlamento que já tinha garantido nas eleições de 2015.

Já o PSD verá a sua representação pela Guarda cair de dois deputados para apenas um. Os sociais-democratas, agora a correr sozinhos, obtiveram 34,37% dos votos. Em 2015, o PSD e o CDS coligados tinham alcançado 45,59%. O CDS, agora sozinho, registou 4,99% dos votos no distrito da Guarda.

Neste círculo o Bloco de Esquerda manteve o terceiro lugar (passou de 7,42% para 7,81%). A CDU recuou de 3,95% para 2,99%.

Leiria: PSD e BE mantêm, PS cresce e Heloísa sai do Parlamento

O distrito de Leiria continua a pintar-se de cor de laranja, mas a diferença entre os dois maiores partidos esbateu-se nestas eleições, com o PSD a registar 33,5% e o PS com 31% a juntar mais um deputado aos três que já tinha. O CDS acabou por perder o seu único deputado eleito e o Bloco de Esquerda mantém a percentagem de votantes na casa dos 9% e segura um mandato. As contas fazem-se assim: PSD com 5 deputados, PS com 4 e BE com 1.

Já a coligação PCP-PEV falha o objetivo que tinha assumido de voltar a eleger um deputado no distrito onde não consegue há mais de 30 anos. A notícia passaria despercebida não fosse a cabeça de lista escolhida para Leiria ser Heloísa Apolónia, a deputada do partido Os Verdes que marcou presença no Parlamento nas últimas sete legislaturas, desde 1995.

Lisboa: PS ganha dois deputados, PSD, CDS e PCP recuam e entram os novos

É por Lisboa que se dá a entrada de três novos partidos no Parlamento. Iniciativa Liberal, Livre e Chega conseguem, cada um, segurar um mandato.

Já o PAN consegue eleger dois deputados pelo círculo eleitoral do distrito da capital, o mesmo número de mandatos atingidos pelo CDS.

O CDS tinha-se candidatado, em 2015, com o PSD e, juntos, tinham conseguido 18 deputados. Agora, os sociais-democratas de Rui Rio conseguem apenas 12.

Já o PS passa de 18 para 20 deputados pelo círculo eleitoral. O Bloco mantém os cinco deputados.

Madeira: BE cai para metade e perde deputado para PS

O Bloco de Esquerda perdeu o deputado que tinha conseguido eleger pelo círculo da Madeira em 2015. O Partido Socialista junta-se agora ao Partido Social Democrata com três deputados eleitos pelo arquipélago, de acordo com os dados oficiais e já com a contagem do círculo eleitoral encerrada.

O PSD conseguiu mais de 48 mil votos, representando 37,15% do total, enquanto o PS alcançou mais de 43 mil, ou 33,41% dos votos. Assim, com uma diferença reduzida entre ambos, cada um elege três deputados.

O PSD desceu ligeiramente a sua votação face a 2015 (37,75%), enquanto o PS disparou face aos cerca de 26 mil, ou 20,9%, naquele ano.

O Bloco deixa de ser a terceira força política pelo círculo eleitoral, onde os 10,66% permitiram a eleição de um deputado em 2015: Paulino Ascensão. Teve, nas legislativas de 6 de outubro, 5,24%, ou 6,8 mil votos. Agora, à frente do BE estão o CDS-PP (6,05%), e o Juntos pelo Povo (5,49%). O PCP-PEV registou 2,08% dos votos.

O resultado foi semelhante ao das eleições regionais que ocorreram há duas semanas, em que o PSD ganhou com 39% dos votos, acima dos 36% do PS. O CDS teve 6%, o Juntos pelo Povo mais de 5% e a CDU 1,8%, acima dos 1,7% do BE (que também aí tinha perdido dois deputados regionais).

Portalegre: PS "rouba" deputado do PSD. Não acontecia desde 2005

O Partido Socialista conseguiu "roubar" o deputado ao Partido Social Democrata em Portalegre. Os dois deputados eleitos no distrito são socialistas, segundo a contagem das 69 freguesias, que está já concluída. Já não acontecia desde a maioria absoluta de José Sócrates em 2005.

O PS teve 44,73% dos votos, correspondendo a 22.909 votos, enquanto o PSD ficou-se pelos 20,08%, de 10.248 votos. Com a diferença entre os dois partidos, os sociais-democratas falham a eleição de um mandato.

Em 2015, a coligação Portugal à Frente, que juntava o PSD e o CDS/PP, tinha conseguido um dos dois deputados, a par do PS. Nessa altura, tinha conseguido 16.303 votos, ou 27,63% do total. Já os socialistas tinham até atingido 25.037 votos, ou 42,43%.

É, aliás, preciso recuar a 2005 para ver uma situação idêntica, em que os socialistas ficaram com os dois mandatos atribuídos neste círculo eleitoral.

Porto: derrota do PSD, que perde em casa

O PSD viveu uma enorme derrota no distrito do Porto. Os socialistas tiveram 36,65% dos votos e tornaram-se o partido mais votado no Porto, elegendo 17 deputados. O PSD perdeu o primeiro lugar, em casa, e ficou com 31,16% (abaixo dos 39,59% que teve juntamente com o CDS em 2015). Mesmo somando as percentagens de voto no PSD e no CDS nas eleições deste domingo, o total fica abaixo do que tiveram há quatro anos (34,5% agora).

Os socialistas tiveram mais 51 mil votos que os sociais-democratas neste distrito. Juntos, o PSD e CDS tinham 17 deputados em 2015 e agora o PSD passa a ter 15 e o CDS um. O Bloco de Esquerda também perdeu um, passando de cinco para quatro deputados. E as perdas não deixaram de fora a CDU – que tinha três deputados e ficou reduzida a dois.

Já o PAN que passou de 1,59% para 3,46% dos votos e conseguiu, pela primeira vez, eleger um deputado.

Santarém: PS toma o lugar do PSD

O PS foi o partido mais votado no distrito de Santarém com 37,13% dos votos, o que lhe dá quatro deputados. E esse foi quase o mesmo resultado que o PSD/CDS teve há quatro anos. Nas legislativas de 2015, a coligação entre o PSD e o CDS conseguiu 35,82% e quatro deputados. Agora, o papel inverteu-se.

O PSD perde um deputado – fica agora com três. Tanto o Bloco de Esquerda como a CDU mantêm, cada um, um deputado. É de destacar que o BE mantém uma percentagem semelhante (10,22% agora contra 10,76% em 2015)) e a CDU desce de 9,64% para 7,57%. Logo a seguir, fica o CDS com 4,73%, como quinta força política mais votada.

Setúbal: PS reforça, PAN estreia-se, PSD, CDS e CDU perdem

O Partido Socialista cresceu na sua votação em Setúbal e conseguiu eleger mais dois deputados do que em 2015. Ao todo, são nove os deputados eleitos pelo círculo eleitoral, graças aos 38,58% de votação alcançada.

O PCP, com 15,75%, é a segunda força política da região, quando era a terceira até aqui. Elege três deputados, menos um do que na atual legislatura.

É o mesmo número de mandatos alcançados pelo PSD, com 14,39% dos votos, que tinha, no seio da coligação PAF, eleito quatro deputados. O CDS tinha um eleito pela mesma coligação, mas agora deixa de ter representação parlamentar pelo distrito.

O BE mantém os dois deputados, com 12,11% dos votos.

O PAN consegue estrear-se, e elege um deputado, o quarto pelo partido, com 4,44% dos votos.

Viana do Castelo: PSD perde um deputado para o PS

No distrito de Viana do Castelo, já com todas as freguesias apuradas, o PS fica à frente com 34,78% dos votos. Não muito longe está o PSD com 33,8%, mas é uma das perdas dos sociais-democratas.

Nas eleições legislativas de 2015, o PSD conseguira vencer com 45,54% dos votos, elegendo quatro deputados. Agora, o PS elege três (mais um do que em 2015) e o PSD outros três.

Vila Real PSD resiste como partido mais votado

Nada de novo na distribuição dos mandatos em Vila Real: o PSD mantém três deputados, o PS fica com os restantes dois. Como em 2015 PSD e CDS foram a votos coligados a comparação direta com estas legislativas é difícil. Os dois partidos tinham obtido 51% dos votos juntos, agora o PSD surge com 39% e o CDS-PP com 4,5%. Ou seja, juntos ficariam abaixo dos 44%.

Viseu: PSD é o mais votado mas perde dois deputados

Há quatro anos, PSD/CDS conquistaram 51,05% dos votos no distrito de Viseu, o que lhes deu a possibilidade de eleger seis deputados. Hoje, já com as 277 freguesias apuradas, o PSD mantém-se como partido mais votado mas longe do resultado de 2015. Os sociais-democratas conseguiram 36,26% dos votos, muito perto do PS que ficou com 35,35%. É de sublinhar que os socialistas subiram na votação (tinham 29,65% em 2015).

Em número de deputados, o PSD conseguiu eleger quatro, menos dois do que em 2015. Já o PS passou de três para quatro deputados.

O Bloco de Esquerda mantém-se como terceira força política mais votada no distrito com 7,86%, mas sem conseguir eleger. A CDU desceu de 3,5% para 2,3% enquanto o PAN passou de 0,68% para 2,12%