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Legislativas 2019

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Catarina na feira de Famalicão, a contar os milhões da fuga ao fisco das grandes empresas

02.10.2019 às 13h12

José Fernandes

Entre os euros e os trocos das compras habituais no mercado semanal de Famalicão, a líder do Bloco aproveitou as notícias da manhã desta quarta-feira para atirar contra as multinacionais, que aumentam 630 milhões/ano aos seus lucros através de 'offshores'

“Foi hoje tornado público que há 630 milhões de euros que fugiram aos impostos das maiores empresas através de offshores”, disse Catarina Martins na manhã desta quarta-feira, no final de uma visita à feira de Vila Nova de Famalicão.

A pergunta de um jornalista nem era sobre isso, mas a líder do Bloco levava preparado o comentário sobre a manchete do Jornal de Negócios de hoje. O diário noticia que, segundo estudos de duas universidades, há 630 milhões de euros de IRC que todos os anos deixam de ser cobrado pelo Fisco português, porque há multinacionais que recorrem a paraísos fiscais.

“Estes 630 milhões de euros”, do “imposto que era devido”, “davam para quase cinco vezes de aumento extraordinário das pensões”, disse a líder do Bloco.

Para Catarina Martins, a notícia, que prova um “exemplo de desigualdade”, “deve fazer pensar no sistema fiscal” existente em Portugal. “Não é aceitável que as maiores empresas do país sejam premiadas naquilo a que chamam planeamento fiscal, e que é de facto um fuga ao fisco”, acrescentou.

Quando falou aos jornalistas, já Catarina percorrera umas centenas de metros na feira. Para lá dos cumprimentos de ocasião, entre as pessoas que se dirigem à candidata, as queixas sobre reformas (não reconhecimento de tempo de trabalho ou valores baixos) são as mais frequentes.

Foi com esses relatos ainda bem frescos no ouvido que a líder do Bloco continuou a criticar os paraísos fiscais.

“Quando estou aqui em Famalicão, e em tantos sítios do país, e as pessoas me vêm falar das suas pensões baixas, da injustiça, da desigualdade do país, este é também um dos problemas que nós temos de combater”, disse.

Neste campo, o Bloco diz que é preciso “combater o planeamento fiscal agressivo das empresas” e “ter a capacidade de tributar” essas multinacionais “pelos lucros que fazem no país”.

Para tal, é necessária “uma legislação mais séria”, ao serviço da “ideia para um país mais justo”. Isso permitiriaa uma folga para “aliviar fiscalmente os salários e as pensões”, obrigando “a pagar impostos quem nunca pagou aquilo que era a sua parte”, defendeu Catarina.

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José Fernandes

Como peixe na água

A líder do BE esteve em Famalicão acompanhada por Marisa Matias, que na véspera já estivera na arruada de Braga, pelas irmãs Mariana e Joana Mortágua (respetivamente as cabeças de lista por Lisboa e por Setúbal) e pelo número 1 por Braga, José Maria Cardoso.

No arranque do antepenúltimo dia de campanha, Catarina Martins volta a orientar o discurso para os que ainda não sabem o que farão no domingo. “Há muita gente que ainda não decidiu em quem vota ou se vai votar”, disse.

Depois, num balanço destes últimos quatro anos, tira duas leituras. A primeira, é que “só foi possível porque o PS não teve a maioria absoluta”; a segunda, é que “só foi possível porque à esquerda houve força suficiente para negociar” com PS, concluiu.

Famalicão foi a última ação de rua do Bloco na alínea das feiras & mercados. Até sexta-feira só estão previstas duas arruadas. O àvontade da líder do Bloco naqueles contactos de rua é hoje visivelmente grande.

Foi perguntado a Catarina Martins como via uma comparação com um político que ficou conhecido pelas frequentes idas a mercados e afins. A identidade do político mistério todos a perceberam: só podia ser o “Paulinho das Feiras”.

Catarina respondeu com um sorriso: “Não tenho ido a tantas feiras e mercados como os meus camaradas gostariam”.