Guerra na Ucrânia

“Noite dura” em Kiev. 50 países levam “Putin, o agressor”, à Assembleia Geral da ONU (as últimas horas da invasão à Ucrânia)

26 fevereiro 2022 9:54

Kiev, Ucrânia Foto: Getty Images

Ucrânia tenta segurar Kiev. Trinta e cinco mortes foi o número avançado de madrugada pelo presidente da Câmara na sequência dos combates ocorridos durante a noite. Entre as vítimas mortais estarão duas crianças

26 fevereiro 2022 9:54

“Esta noite vai ser a mais dura”, tinha antecipado o Presidente ucraniano ao início da madrugada, quando apelou à mobilização em defesa da capital. E não se enganou. Violentos combates em Kiev marcaram a última noite, com explosões e ataques aéreos e com as tropas russas a tentarem controlar a capital ucraniana.

“Nas ruas da nossa cidade estão a decorrer, neste momento, intensas ações militares. Mantenham a calma e sejam muito prudentes”, pediu a câmara de Kiev esta madrugada, em comunicado. Os habitantes da cidade foram aconselhados a permanecer em abrigos, ou, se estivessem em casa, a não se aproximarem das janelas.

Eram 03h (mesma hora em Lisboa), quando o serviço de comunicações especiais ucraniano informou estarem a decorrer “violentos combates” dentro da capital ucraniana, e que forças russas estavam a tentar atacar uma central elétrica no bairro Troieshchyna, no nordeste de Kiev. Dois dias depois do Presidente russo ter mandado invadir a Ucrânia, a tentativa de controlar a cidade está em marcha e o apelo do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, à mobilização em defesa da capital antecipou o que aí vinha.

“Esta noite vai ser a mais dura. O inimigo vai dar tudo. Temos de resistir. A noite vai ser muito dura, mas vamos chegar ao nascer do sol”, afirmou o Presidente, Volodomir Zelenskii, numa mensagem aos ucranianos ao início da madrugada. “Muitas das nossas cidades estão sob ataque; Chernihiv, Sumy, Kharkiv, os nossos rapazes e raparigas no Donbas, as cidades do Sul, atenção especial a Kiev”, disse. “Não podemos perder a capital.”

Pelas 04h da manhã, a Ucrânia reivindicou ter repelido “um ataque noturno” de soldados russos contra uma das posições do exército ucraniano numa das principais avenidas de Kiev. Uma publicação feita nas redes sociais pelo exército ucraniano foi acompanhada por uma imagem que mostrava uma enorme nuvem de fumo no meio de uma área urbana, identificada como avenida da Vitória, durante a noite.

Trinta e cinco mortes foi o número já avançado pelo presidente da Câmara de Kiev na sequência dos combates ocorridos durante a noite e entre as vítimas mortais estarão duas crianças. Quanto ao ataque a um prédio residencial que foi atingido por um míssil nesta madrugada e de que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, publicou imagens nas redes sociais, não terá havido vítimas mortais.

O exército ucraniano afirmou ter destruído uma coluna de cinco veículos militares russos, incluindo um blindado, perto da estação de metropolitano Beresteiska, na avenida da Vitória, uma das principais ruas na zona noroeste de Kiev. Mas o cerco russo à capital continua em marcha.

De acordo com as autoridades locais, forças aerotransportadas russas terão aterrado num aeródromo em Vasilkov, a menos de 40 quilómetros de Kiev. Sirenes de alerta antiaéreo soaram, ao amanhecer, também em Kharkiv, uma grande cidade no leste da Ucrânia, próxima da fronteira com a Rússia. E o exército ucraniano também alertou para “combates violentos” a 30 quilómetros a sudoeste da capital, onde os russos “estavam a tentar largar paraquedistas”.

Mísseis russos, disparados a partir do Mar Negro, atingiram as cidades de Sumy, Poltava e Mariupol. Segundo o ministro ucraniano da Saúde, pelo menos 200 pessoas morreram até agora no conflito. A ONU diz que 120 mil refugiados já chegaram aos países vizinhos à procura de refúgio

ONU: “Putin é o agressor”

Cinquenta países, incluindo Portugal, subscreveram hoje nas Nações Unidas uma declaração de condenação de Vladimir Putin como “o agressor” da Ucrânia, e comprometeram-se a levar a condenação da Rússia à Assembleia Geral da ONU depois do veto de Moscovo a uma resolução do Conselho de Segurança.

Sendo um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (P5), a Rússia tem poder de veto nas votações. E vetou a resolução do Conselho de Segurança que condenava o a sua agressão à Ucrânia, ficando isolada numa votação que alcançou 11 votos a favor e três abstenções, incluindo da China.

A resolução vetada pelos russos foi copatrocinada pelos Estados Unidos e pela Albânia, condenando a Rússia, “nos termos mais fortes”, pela sua “agressão contra a Ucrânia” e pedindo-lhe que retire “imediatamente” as suas tropas daquele país vizinho. 

A declaração conjunta divulgada após o veto russo afirma que “o presidente Putin escolheu violar a soberania da Ucrânia. O presidente Putin escolheu violar a lei internacional. O presidente Putin escolheu violar a Carta da ONU. O presidente Putin optou por lançar bombas em Kiev, para forçar as famílias a fazer as malas e abrigarem-se em estações de metropolitano. O presidente Putin é o agressor aqui. Não há meio termo”.