Eleições no Brasil

Lula dança com indígenas e promete-lhes segurança

1 setembro 2022 10:33

Lula da Silva

miguel schincariol

"Não haverá mais mineração em terras indígenas”, garantiu ex-Presidente brasileiro e candidato a novo mandato

1 setembro 2022 10:33

O ex-presidente brasileiro e candidato às eleições presidenciais de outubro, Lula da Silva, esteve na cidade amazónica de Manaus, na quarta-feira, onde dançou com indígenas e prometeu-lhes segurança face às crescentes ameaças dos mineiros ilegais. Lula visitou também a Zona Franca de Manaus, à qual prometeu dar continuidade às suas vantagens competitivas, e mais tarde visitou o Museu Amazonas, onde dançou com os indígenas na companhia da sua mulher, a socióloga Rosangela Silva.

O candidato disse que o Brasil "não pode continuar a ser governado por alguém que não gosta de indígenas, negros, mulheres" ou "da Amazónia", aludindo ao Presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Sob a sua administração, o Brasil "ficou pior" e "a fraternidade desapareceu do coração de muitas pessoas" para dar lugar ao "ódio”, disse o antigo líder sindical.

Lula disse acreditar ser possível recuperar o país, "continuar a demarcação de terras indígenas", e "preservar" as florestas face às taxas recorde de desflorestação nos últimos anos. "Vamos criar o Ministério dos Povos Indígenas" e "não haverá mais mineração em terras indígenas”, garantiu.

Também prometeu reforçar a segurança fronteiriça, em cooperação com os países vizinhos através de "um verdadeiro acordo", e identificar e processar as pessoas que ilegalmente queimam ou cortam a maior floresta tropical do planeta. "As nossas florestas serão cuidadas e a biodiversidade será estudada", afirmou, argumentando que "a riqueza da Amazónia tem de ser utilizada por todos os habitantes do planeta" de uma forma responsável.

Se regressar à Presidência, cargo que ocupou entre 2003 e 2010, garantiu que assumirá "mais compromissos" com o ambiente em fóruns internacionais, e reiterou que promoverá uma reforma das Nações Unidas para assegurar o cumprimento dos pactos climáticos.

Lula da Silva disse ainda que um dos seus principais focos será o combate à fome no país. “Lamentavelmente, o povo está passando fome. Num país que é o terceiro maior produtor de alimentos, tem 33 milhões de pessoas passando fome. E o presidente, com a maior cara de pau, diz que não tem tanta gente passando fome”, afirmou Lula.

“Não tem [fome] na casa dele, porque ele decretou até sigilo sobre o cartão corporativo, para o povo não saber o quanto ele gasta. Mas o povo está passando necessidade”, frisou.

Ao todo, 12 candidatos disputam as presidenciais: Jair Bolsonaro – que concorre a um segundo mandato -, Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro Gomes, Simone Tebet, Luís Felipe D’Ávila, Soraya Tronicke, Roberto Jefferson, Pablo Marçal, Eymael, Leonardo Pericles, Sofia Manzano e Vera Lúcia.

Caso nenhum dos candidatos obtenha a maioria de 50% mais um voto em 02 de outubro, a segunda volta realiza-se com os dois mais votados em 30 do mesmo mês. Lula da Silva lidera as sondagens para as presidenciais (47%), seguido por Jair Bolsonaro (32%), segundo o Instituto Datafolha.